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terça-feira, 20 de junho de 2017

Rua Tito Carvalho

Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde

            Ainda no centro da cidade de São Joaquim (SC), localiza-se a Rua Tito Carvalho, que homenageia um personagem bastante importante, mas sobre o qual muitas pessoas não têm conhecimento.
            Tito Carvalho nasceu em Orleans (SC), em 04 de janeiro de 1896. Era filho de Antônio Luiz Gomes de Carvalho, próspero comerciante e influente político, e de Maria Cascaes de Carvalho[i].
Foi um grande jornalista e escritor. Em suas obras literárias, buscava retratar o regionalismo, principalmente, da Região Serrana. De acordo com Pereira (2002, p. 78), poucos autores catarinenses
“buscaram temas e inspiração nas raízes mais profundas da cultura e das tradições fundadoras da terra, apropriando-se dos falares regionais [...] para um trabalho de recriação artística da linguagem. Quem melhor o fez foi Tito Carvalho (1896 – 1965), que centrou sua ficção no Planalto Serrano, submetendo o vigoroso dialeto campeiro, com sua sonoridade marcante e seus espanholismos, a um paciente trabalho de recriação artesanal”.
Tito Carvalho se casou com Lorena Pereira Cascaes, com quem teve três filhos: Ney Bonjoanni, Léa-Maria (nasc. 1920) e Tito (nasc. 1939), que faleceu pouco tempo depois, em 1942. Após o matrimônio, Tito Carvalho se mudou para São Joaquim (por volta de 1917ii), onde foi Secretário Municipal e atuou, também, como advogado. Fundou ali naquele município, o jornal Correio Serranoii.
            Durante sua vida e profissão, mudou-se diversas vezes de cidade. Segundo Flores (2005, p. 29), “a morada em cidades como São Joaquim permitiu-lhe, ainda, ampliar o contato com a cultura e o linguajar serrano. Como ele mesmo afirmou, teve, ‘no convívio das estâncias, entre a peonada, de linguajar pitoresco, o vício do enxerto, no falar, de palavras que têm o sabor e o colorido do regionalismo.’ E esse hábito de enxertar palavras de sabor regionalista também se observa em muitas de suas crônicas, principalmente em seus bilhetes, de tom mais informal”.
           
            Vejamos mais alguns detalhes sobre a vida profissional de Tito Carvalho:
Em 1911, com apenas quinze anos, Tito publicou suas primeiras histórias nos jornais O Fiscal, de Tubarão, e O Albor, de Lagunai,ii. Mais tarde, em 1915, tornou-se redator de A Folha do Sul e contribuiu com a Gazeta Orleanense.
Em 1920 publicou o conto Bulha d’arroio pela revista Terra, da Academia Catarinense de Letras, nome que seria atribuído, mais tarde, ao seu primeiro livro, publicado em 1939i.
Em 1922 foi convidado por Hercílio Luz, então Governador do Estado, para ser redator do jornal República, onde teve a oportunidade de exercer sua vocação literária, e onde também abriu mais espaço para as Letras e para os artistas locais divulgarem seus trabalhosi.
Em 15 de fevereiro de 1925 foi recebido como membro da Academia Catarinense de Letras, ocupando uma de suas cadeiras.
Durante o período em que o jornal República permaneceu fechado, todo o ano de 1925 até setembro de 1926, Tito Carvalho colaborou com a redação dos jornais A Cidade, de Laguna (SC), e A Pátria, do Rio de Janeiro.
Em 1926, quando retornou a suas atividades no jornal República, suas crônicas passaram a focar mais nos acontecimentos relacionados ao fim da República Velhaii. Ele possuía uma coluna, inicialmente denominada O meu bilhete, depois, passando-se a chamar O nosso bilhete (a partir de dezembro de 1926). Nessa coluna, escrevia bilhetes endereçados a pessoas reais, às vezes pessoas públicas, outras, pessoas desconhecidas, de seu círculo de amizade.
Tito Carvalho utilizava um pseudônimo, que se alterou com o passar do tempo. Inicialmente, encerrava suas crônicas assinando: “João, apenas”. De acordo com Flores (2005, p. 59),
esse nome passou por um processo criativo. Na palavra “apenas”, o escritor leu “penas”, o que se associa à escrita e às palavras. Alcançou-se, assim, o instrumento e o meio de trabalho do escritor em um único nome – “João A. Penas”. Mais adiante, a ênfase na produção escrita aumentou, quando o nome “João” foi resumido, e o pseudônimo passou a “J. A. Penas”. Assim, o cronista parece se autodenominar aquele que tem a pena, que domina a escrita e a tem em evidência em sua vida. Até que ponto essa denominação serviu para evitar que sua identidade real fosse preservada é impossível saber, tendo em vista que ocupava posição de destaque no jornal em que trabalhava, era conhecido no meio jornalístico e, principalmente, as pessoas que maior influência poderiam ter sobre ele sabiam a quem remetia tal nome, sem esquecer, também, que nenhuma crítica extremada foi feita sob tal identidade.
Tito Carvalho ainda colaborou com diversos outros jornais comoi:
- O País (RJ);
- A Noite (RJ);
- A Cidade (Laguna, SC), foi redator;
- O Libertador (Itajaí, SC), foi redator;
- A Cidade de Blumenau, foi diretor;
- O Estado, foi redator;
- Diário da Tarde, foi redator;
- República, assumiu a direção em 1938.
Também atuou na Agência de notícias Asapress, em 1945, passando a residir no Rio de Janeiro. De 1946 a 1953, foi cronista parlamentar na Câmara e no Senado (RJ). Em 1948 foi enviado à Colômbia, Bogotá, como jornalista, com o intuito de fazer a cobertura da IX Conferência Interamericana. Nesse mesmo período, “ocorreu a Revolução que acabou depondo o Presidente da Colômbia” (FLORES, 2005, p. 28).
Em 1956, retornou para Florianópolis e assumiu a direção do Diário da Tardei.
Em 1961, foi nomeado diretor da Biblioteca Pública do Estadoi.
Segundo Flores (2005, p. 29),
Além de seu trabalho na imprensa, publicou a coletânea de contos regionais Bulha d'arroio (1939) e o romance regionalista Vida Salobra (1963). Antes de morrer, preparava a edição das crônicas escritas para a coluna Gente do meu caminho, publicadas na Tribuna da Imprensa de 1955 a 1956; e de um livro com os artigos que produzira sobre a Conferência de Bogotá e a Revolução Colombiana, trabalho que ficou inacabado devido a seu falecimento em 15 de julho de 1965”.
Essas duas obras, Bulha d'arroio e Vida Salobra (1963), ficaram muito tempo sem serem reeditadas e publicadas. Somente em 1992 foi lançada uma reedição pela Fundação Catarinense de Cultura. Também por essa instituição, vida e obra do autor foram publicadas. Contudo, não é fácil encontrar qualquer uma dessas obras à venda (normalmente são encontradas apenas em sebos), de modo que o trabalho de Tito Carvalho ainda permanece “pouco conhecido, apesar de constituir obra única no universo ficcional catarinense por sua relevância temática e linguística” (PEREIRA, 2002).



Rua Tito Carvalho, São Joaquim (SC).


Referências



[i] FLORES, Simone Constante. Do texto à história: cotidiano catarinense nas crônicas de Tito Carvalho – Fixação de crônicas. Dissertação de mestrado, Curso de Pós-Graduação em Literatura, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, 2005.
[ii] Prefeitura de Orleans, SC. Cultura, 2013. Disponível em: http://orleans.sc.gov.br/2013/index.php?option=com_content&view=article&id=78&Itemid=519. Acesso em: 12/06/2017.
PEREIRA, Mário. Ao pé da letra: Escritores catarinenses contemporâneos e outros textos. Editora Garapuvu: 2002.  Agradecimento a Henrique Brognoli Martins, que nos enviou esse livro.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Rua Ismael Nunes

Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde

            Ainda no centro da cidade de São Joaquim (SC), em paralelo à Rua Lauro Müller, localiza-se a Rua Ismael Nunes, que homenageia um dos prefeitos que o município já teve. Ismael Nunes exerceu o cargo por dois mandatos: de 1951 a 1956; e de 1961 a 1965.
            Ismael Nunes sempre se dedicou à agricultura e à pecuária, mas também se interessava por política. Em 02 de janeiro de 1947 foi nomeado Delegado do Partido Social Democrático (PSD) da 28ª Zona Eleitoral do Estado. Foi nomeado pelo Presidente da Comissão Executiva em Santa Catarina, então Nereu Ramos. Ismael foi filiado ao PSD até 1950, quando foi convidado a se filiar à União Democrática Nacional (UDN), partido pelo qual se candidatou à Prefeitura Municipal (em 1950).
Em 1960, por divergência de opiniões (assim como já ocorrera em 1950), Ismael Nunes desligou-se da UDN, filiando-se ao Partido Liberal (PL). Com outros colegas dissidentes, formaram a Comissão Interpartidária, juntamente com outros partidos: PSD, Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Democrático Cristão (PDC) e PL.
Em julho de 1960, vários líderes da Comissão Interpartidária propuseram que Ismael Nunes se candidatasse novamente à Prefeitura de São Joaquim. Apesar da relutância dele e da família, Ismael acabou aceitando. A disputa entre a Comissão Interpartidária (conhecida como lenço vermelho) e a UDN (lenço branco), com o candidato Fúlvio Amarante Ferreira, foi bastante acirrada, mas Ismael Nunes acabou como vencedor por nove votos.

Panfleto de Campanha de Ismael Nunes para Prefeitura de São Joaquim/SC (Disponibilizado por Rogério Palma de Lima no site Genoom).
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Enquanto prefeito realizou grandes feitos e teve considerável participação em outras realizações, que auxiliaram o desenvolvimento do município. Dentre eles, podemos citar:
- O primeiro calçamento de rua da cidade: Rua Manoel Joaquim Pinto (trecho que ia da Casa de Pedra até o Armazém Caju (depois Edifício Peg-Pag));
- Durante seu governo, em 1952, foi realizada a 1ª Festa da Maçã;
- Em 1953 foi criado o Posto de Fruticultura de São Joaquim, visando pesquisar sobre o comportamento das fruteias no clima do município;
- Em 10 de agosto de 1953, Ismael Nunes adquiriu um terreno na Fazenda Morro Agudo, com 288.181,50 m², para construir o Aeroporto Municipal, que mais tarde também recebeu seu nome em forma de reconhecimento pelos seus trabalhos;
- Também durante seu primeiro mandato, nos primeiros anos da década de 1950, iniciou-se a abertura da Serra do Rio do Rastro;
- Adquiriu o primeiro trator de esteira e o primeiro trator agrícola para o Município;
- Comprou uma gleba de terra nas proximidades da cidade, onde passou a funcionar um campo de futebol em 1954;
- Em 18 de maio de 1963, foi inaugurada a Rádio Difusora, com a presença do Prefeito Ismael Nunes, do Governador Celso Ramos e de autoridades locais. Ismael Nunes era um dos 19 sócios da rádio;
- Em 1965 foi inaugurada a ponte sobre o Rio Lavatudo. Até esse momento, o transporte só ocorria por balsa, sistema demorado e que dependia das condições climáticas;
- Em 1965 foi instalada energia elétrica fornecida pela CELESC, e inaugurada pelo então Governador Celso Ramos. Anteriormente, a Prefeitura fornecia energia por meio de um gerador, comprado em 1947, e que era desligado às 22h.


Lei de 1983 que denomina o Aeroporto Municipal de São Joaquim como “Aeroporto Prefeito Ismael Nunes”.


Lei que alterou o nome da Rua Laguna para Rua Ismael Nunes, em novembro de 1982.



Ancestrais e descendentes de Ismael Nunes

            Ismael Nunes nasceu em 04 de março de 1909, na localidade de Chapada Bonita, em São Joaquim-SC. Filho de João Fermino Nunes e de Maria Lydia Medeiros.
João, por sua vez, era filho de Fermino José Nunes (chegou a São Joaquim por volta de 1800, vindo de Santo Antônio da Patrulha, RS) e de Anastácia Maria Martins.
Maria Lydia Medeiros, natural de Tubarão (SC), era filha de Joaquim Antônio de Medeiros e de Fermina Francisca de Medeiros.
           
Ismael Nunes casou-se em primeiras núpcias, em 22 de dezembro de 1930, com Erothides Costa (06/10/1912 – 15/12/1934), com quem teve uma filha: Soely Costa Nunes (nasc. 06/12/1932).
Erothides era filha de Polycarpo Souza Costa (08/05/1879 - 18/08/1946) e Joanna de Lima Costa (nasc. 12/06/1883), residentes na localidade de Urubici.
           
Em 28 de maio de 1938, Ismael contraiu seu segundo matrimônio com Zélia Ribeiro (19/10/1914 – 12/09/1983), filha de Gaspar da Silva Ribeiro e Joana da Silva Mattos. Matrimônio em: 28/05/1938, São Joaquim, SC.
            Ismael e Zélia tiveram seis filhos:
F1 – MARIA LIDIA RIBEIRO NUNES (nasc. 26/02/1939), c.c. João Emílio de Souza Neto (05/12/1938 - ?);
F2 – JOÃO GASPAR NUNES (31/03/1940 – 12/04/1942);
F3 – JOSÉ CARLOS RIBEIRO NUNES (nasc. 20/09/1941), c.c. Rita de Cássia Waltrick Nunes (nasc. 01/01/1945);
F4 – SEBASTIÃO IVAN NUNES (nasc. 24/12/1942), c.c. Lélia Pereira da Silva Nunes (nasc. 18/09/1946);
F5 – JOANA TEREZINHA RIBEIRO NUNES (nasc. 02/04/1944), c.c. James Chiodelli (nasc. 29/06/1943);
F6 – FILOMENA RIBEIRO NUNES, “Mena” (nac. 11/09/1945), c.c. Elvio Rogério V. Esteves (nasc. 01/03/1941).


Zélia Ribeiro Nunes e Ismael Nunes. Filhos começando pela esquerda: Filomena (Mena) Nunes Esteves, Sebastião Ivam Nunes, Joana Terezinha Nunes Chiodelli, José Carlos Nunes e Maria Lídia Nunes Souza. (Agradecimento a Mena Nunes)


Ismael Nunes faleceu em 10 de julho de 1982 (infarto agudo do miocárdio), em São Joaquim-SC, e foi sepultado no cemitério da família, na Chapada Bonita.



Rua Ismael Nunes, São Joaquim (SC).



Referências

·         LIMA, Rogério Palma de. Dados sobre a Família Nunes, inseridos no site Genoom.

·         Documentos de Ismael Nunes disponibilizados por Rogério Palma de Lima:
¨   Matrimônio com Zélia: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-267-12694-20797-54?cc=2016197&wc=M94J-8CD:n873321358
- Matrimônio com Erothides: https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-65D7-RW?i=24&wc=MXYR-JP6%3A339717601%2C339717602%2C339765501&cc=2016197. Óbito de Erothides: https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-65D7-56?i=24&wc=MXYR-RP8%3A339717601%2C339717602%2C339836301&cc=2016197 
·   Árvore Genealógica da Família Nunes a partir de Fermino José Nunes e Biografia de “Ismael Nunes” – Seus ancestrais, seus descendentes, suas realizações. Documentos fornecidos por Filomena Ribeiro Nunes, “Mena”, em 2005. Arquivo pessoal de Ismênia Ribeiro Schneider.


·         Conhecendo São Joaquim, de Rosemere Mariotti Machado e João Batista de Oliveira, 2000.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Rua Leonel Machado

         Ainda no centro da cidade de São Joaquim (SC), continuando a Rua Manoel Joaquim Pinto, localiza-se a Rua Leonel Machado. Esta rua homenageia o terceiro prefeito do município: Leonel Caetano da Silva Machado, que administrou a cidade de 1895 a 1897.
          Muito cedo, Leonel Caetano engajou-se nas lides políticas, seguindo tradição de sua família, originária de Sorocaba (SP).
Foi também 5º Suplente do Subdelegado do distrito da Costa da Serra do município de Lages, requerendo exoneração do cargo em 09 de fevereiro de 1871[i].
Leonel Caetano da Silva Machado (1830, Lages[ii] - 05/11/1897, São Joaquim[iii]) era filho de Antonio Caetano da Silva Machado (1788, em São Paulo – 05/09/1864, em Lages-SC[iv]) e de Esmênia Muniz de Saldanha (06/07/1805 - 31/08/1888), “D. Yayá”.
Casou com Florinda Pereira de Jesus (Medeiros) (nasc. 1839), filha de Manoel José Pereira da Cunha (Manduca Pereira) (1806 - 03/09/1858) e de Ignácia Maria de Saldanha (1817 - 03/10/1904), em 31 de maio de 1860, Lages-SC[v].
Fazenda: da Farofa (São Joaquim, SC).
Leonel faleceu durante o seu mandato, em 1897.

Leonel Caetano da Silva Machado. Foto Oficial da Prefeitura.


Filhos de Leonel Caetano e Florindaiii,iv:

F1 – Ignácia Pereira Machado (nasc. 08/03/1861, bat. 28/07/1861)ii.

F2 - Caetano Pereira Machado (31/07/1862 - 30/08/1930[vi]), c.c. Iria Pereira de (Jesus) Medeiros (1860 - 17/07/1923), filha de Manoel Pereira de Medeiros e de Ismênia Maria de Saldanha.

F3 - Leonel Pereira Machado (05/05/1865 - 06/02/1946), c.c. Arminda Rodrigues (11/07/1866 - 01/08/1918).

F4 - José Caetano Pereira Machado (nasc. 27/10/1867), c.c. Florinda Pereira Machado (nasc. 1872), filha de Ignácio Rodrigues Nunes e de Anna Maria (Pereira) de Saldanha (1847 - 24/05/1939).

F5 - Ismênia Pereira Machado (27/01/1869 - 16/09/1934), conhecida como “Ismênia Palma”, c.c. Ignácio da Silva Mattos (1860-1935), conhecido como “Inácio Palma”, filho de Antônio da Silva Mattos e de Maria Palhano Prestes de Jesus, “Mariazinha”.
Tronco da conhecida Família PALMA de São Joaquim (avós maternos desta pesquisadora, Ismênia Ribeiro Schneider).

F6 - João Caetano Pereira Machado (nasc. 11/06/1871, bat. 28/11/1871, falec. 14/02/1900[vii]). Segundo o documento de óbito[viii], João Caetano faleceu devido a um tiro de pistola. Contudo, o documento não apresenta mais detalhes sobre o caso.
João foi casado com Isabel Pereira de Medeiros (05/11/1866 - 10/02/1916), filha de Manoel José Pereira de Medeiros (1833 - 22/08/1900) e de Esmênia da Silva Muniz (Saldanha) (1832 - 05/05/1901).

F7 - Belmira Pereira Machado (13/03/1879 - 10/07/1917), c.c. Manoel Inácio Pereira, filho de Ignácio Rodrigues Nunes e Anna Maria (Pereira) de Saldanha.

F8 - Ana Pereira Machado (nasc. 28/02/1881), c.c. Basílio Florêncio Pereira (nasc. 1871), filho de José Florêncio de Medeiros (1839 - 08/11/1887) e de Belisária Joaquina de Jesus.

F9 - Maria Caetana Machado, falecida em criança (não temos informação sobre as datas de nascimento e óbito, mas no inventário de Leonel Caetano da Silva Machado há uma observação informando que a sua parte da herança foi redistribuída).
  

Rua Leonel Machado, São Joaquim (SC). (Fonte: Google Street View)


Mais informações sobre Florinda Pereira Machado, esposa de Leonel Caetano da Silva Machado: http://genealogiaserranasc.blogspot.com.br/2011/06/primeiras-damas-de-sao-joaquim-florinda.html


Referências




[i] Jornal O Despertador. Parte Official, Governo da Provincia. Expediente do dia 10 de Fevereiro de 1871. Desterro, 17 de fevereiro de 1871, n. 841, Ano IX. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=709581&pagfis=8181&url=http://memoria.bn.br/docreader#.
[ii] Dado disponibilizado por Rogério Palma de Lima, no site Genoom.
[iii] Inventário Judicial sem testamento de Leonel Caetano da Silva Machado, Comarca de São Joaquim da Costa da Serra/SC, 1898. Acervo pessoal de Ismênia Ribeiro Schneider.
[iv] Dados disponibilizados por Rogério Palma de Lima, no site Genoom.
[v] Matrimônio de Leonel Caetano da Silva Machado e Florinda Pereira de Jesus, 1860. Registros da Igreja Católica, 1714-1977. Disponível em: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-267-12415-25654-39?cc=1719212&wc=MMPG-7H5:n1025834253https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-267-12415-26945-27?cc=1719212&wc=MMPG-7H5:n1025834253. Documento disponibilizado por Rogério Palma de Lima, no site Gennom.
[vi] Inventário Judicial sem Testamento de Caetano Pereira Machado, 1931, 2ª Vara do Fórum de São Joaquim, Nº761 – L4 – Fls 3.
[vii] Documentos disponibilizados no site Genoom pelo pesquisador Rogério Palma de Lima.
[viii] Documento disponibilizado no site Genoom pelo pesquisador Rogério Palma de Lima: https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-6RQN-BX?mode=g&i=196&cc=2016197

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Rua Lauro Müller


        Retomamos os estudos sobre os nomes de ruas e praças de São Joaquim (SC). Inicialmente, destacamos um personagem importante para o Estado de Santa Catarina, sendo que seu nome, além de nomear uma rua de São Joaquim, também foi conferido a uma cidade localizada ao “pé” da serra  do Rio do Rastro: Lauro Müller.
           Lauro Severiano Müller (08/11/1863 – 30/07/1926), ou Lauro Müller, como é mais conhecido, ocupou cargos muito importantes, bem descritos no Dicionário Político Catarinense:
“Lauro Severiano Müller. Natural de Itajaí, SC, a 08.11.1863, filho de Pedro (Peter) Müller e de D. Ana Maria Michels Müller. Fez os estudos primários em sua terra natural. Seguiu para o Rio de Janeiro, onde se empregou no comércio. Assentou praça na Escola Militar (1882). Alferes (1885). 2º Tenente (1889). Indicado por Benjamin Constant[i] e Antônio Justiniano Esteves Júnior[ii] foi nomeado Governador de Santa Catarina (1889). 1º Tenente (1890). Deputado à Assembleia Nacional Constituinte (1891) e à 1ª Legislatura (1891 – 1893) por Santa Catarina. Deputado federal à 2ª Legislatura (1894 – 1896). Deputado Federal à 3ª Legislatura (1897 – 1899). Major (1900).
Senador, por santa Catarina, à 4ª Legislatura, por nove anos (1900 – 1908). Licenciado para assumir o Ministério da Viação e Obras Públicas, no Governado de Francisco de Paula Rodrigues Alves[iii]. Senador (eleito a 07.02.1907) para completar o mandato de Gustavo Richard[iv], de seis anos. Tenente-coronel (1906). Senador (eleito a 30.01.1912), por nove anos, renunciando em maio de 1912, para assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores. Coronel (1912). General de Brigada (1914). Senador, para completar o mandato, face a renúncia de Abdon Batista[v] (eleito a 26.08.1917).
Senador, por nove anos, eleito em 1921. General de Divisão (1921). Pertenceu à Academia Brasileira de Letras.
Faleceu, no Rio de Janeiro, a 30.07.1926.
Foi casado com D. Luísa de Andrade Müller, de quem houve Lauro Müller Filho, Laurita (c.c. Mazini Bueno) e Antônio Pedro de Andrade Müller” (PIAZZA, 1994, p. 477[vi]).


 
Figura 1 - Lauro Severiano Müller. Fonte: site Agência AL (ALESC).

Sobre o seu filho Antônio Pedro de Andrade Müller, o Dicionário Político Catarinense apresenta as seguintes informações:
“Natural do Rio de Janeiro, filho de Lauro Severiano Müller e de D. Luísa de Andrade Müller.
Bacharel em Direito. Deputado ao Congresso Representativo à 10ª Legislatura (1919 – 1921), Deputado estadual à 11ª Legislatura (1922 – 1924). Deputado estadual à 12ª Legislatura (1927). Deputado estadual à 13ª Legislatura (1928 – 1930)” (PIAZZA, 1994, p. 474).

            Um artigo interessante, da professora Giralda Seyferth, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (Museu Nacional, UFRJ), conta um pouco sobre a história e a trajetória de Lauro Müller:
“A família Müller fazia parte do primeiro contingente de imigrantes alemães que se fixou na colônia de São Pedro de Alcântara em 1829. O avô, Johann, de origem camponesa, recebeu um lote colonial, explorado por ele e seus filhos menores; portanto, Lauro Müller era filho de um colono. Mas seu pai, Peter, abandonou a atividade agrícola para trabalhar como embarcadiço nos barcos que faziam a linha Desterro (Florianópolis) - Itajaí. A mãe, Anna Michells, era filha de outro colono da primeira leva de imigrantes, que havia se retirado para Itajaí, onde abriu uma casa comercial. Após seu casamento, Peter Müller mudou-se para Itajaí, onde também ingressou, com o irmão, na atividade comercial — escolha lógica para estabelecer uma casa comercial, pois era o lugar para onde convergia a maior parte da produção agrícola e manufatureira do Vale do Itajaí. Lauro, o quinto filho, nasceu em 08/11/1863, em Itajaí.
Sua primeira inserção escolar é significativa: foi educado no idioma alemão, em uma escola primária particular teuto-brasileira, em Blumenau, onde residia seu tio, Bernardo Haendschen, casado com uma irmã de seu pai, uma vez que não havia escola alemã em sua cidade natal. O tio também era pequeno comerciante, uma estratégia familiar para sair da condição de colono e integrar a classe média urbana em formação nas áreas coloniais e sua periferia. Lauro Müller freqüentou, ainda, por algum tempo, uma escola pública brasileira, forma de ser teuto-brasileiro assimilado em condições de ingressar em uma escola secundária fora do seu estado de origem. Aos 16 anos foi enviado ao Rio de Janeiro para aprendizado em uma casa comercial, de onde saiu para concluir os estudos de 2º grau em Niterói. Aos 19 anos ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde obteve o grau de engenheiro-militar e se tornou alferes em 1887 [ou 1885, conforme Piazza, 1994]. Em 1889 era tenente-engenheiro do Exército nacional, tendo passado pela doutrinação republicana positivista de Benjamim Constant. Servia como ajudante-de-ordens do marechal Deodoro da Fonseca por ocasião da proclamação da República — um acaso fundamental no processo de ascensão social pela via política, pois veio a ser nomeado governador provisório de Santa Catarina aos 26 anos de idade. A partir daí sua carreira política, vinculada ao Vale do Itajaí, teve andamento rápido: foi eleito senador Constituinte em 1890, voltou a ocupar o cargo de governador em 1891 (cargo para o qual seria novamente eleito em 1902 e 1918); além disso, venceu diversas eleições para deputado federal e senador, e ocupou o cargo de ministro de Estado por duas vezes (Ministério da Viação, no governo de Francisco de Paula Rodrigues Alves, 1902-1906; e Ministério do Exterior, em substituição ao Barão do Rio Branco, de 1912 a 1917, nos governos Hermes da Fonseca e Venceslau Braz)” (SEYFERTH, 1999, p. 75-76[vii]).


Notas e Referências






[i] Benjamin Constant: Benjamin Constant (1833-1891) foi militar e político brasileiro. Teve um papel importante no movimento político que resultou no processo de Proclamação da República no Brasil. Foi professor, doutor em matemática e ciências físicas. Como militar, galgou vários postos, chegando a General de Brigada. Foi professor e depois diretor do Instituto dos Meninos Cegos, do Rio de Janeiro. Fontes: http://www.suapesquisa.com/biografias/benjamin_constant.htm e http://acervo.estadao.com.br/noticias/personalidades,benjamin-constant,667,0.htm.

[ii] Antônio Justiniano Esteves Júnior: Eleito senador por Santa Catarina à Assembleia Nacional Constituinte em setembro de 1890, tomou posse em 15 de novembro e foi presenteado por seus conterrâneos com uma pena de ouro para assinar a Constituição de 1891, o que o fez. Em seguida, fez uma homenagem ao professor que lhe ensinou as primeiras letras, José Joaquim Lopes, presenteando-o com a mesma pena. A partir de maio de 1891 passou a exercer o mandato ordinário e em 1900 foi reeleito senador. Não completou o segundo mandato em virtude de seu falecimento, ocorrido no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 9 de março de 1900. Fonte e mais informações em: http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/ESTEVES%20J%C3%9ANIOR.pdf.

[iii] Francisco de Paula Rodrigues Alves: Formou-se em direito em São Paulo antes de ingressar na vida pública, em 1872, como deputado provincial pelo Partido Conservador. Em 1887 chegou a presidente da província de São Paulo (o equivalente ao governador), cargo que voltaria a ocupar em 1900 e 1916. Após a Proclamação da República, foi deputado constituinte, em 1890, e ministro da Fazenda duas vezes no governo de Floriano Peixoto e no de Prudente de Morais. Eleito presidente da república em 1902. Fonte e maiores informações:  https://educacao.uol.com.br/biografias/francisco-de-paula-rodrigues-alves.jhtm.

[iv] Gustavo Richard (Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1847 — Florianópolis, 18 de outubro de 1929) era filho dos franceses Henrique Ricardo Richard e Carlota Amélia Anna Coullon Richard. Foi vereador em Desterro de 1887 a 1890; vice-presidente de Santa Catarina, tendo assumido o governo de 8 de outubro de 1890 a 12 de junho de 1891 (substituindo Lauro Müller, então na Câmara Federal) e de 21 de novembro de 1906 a 28 de setembro de 1910; senador, nos períodos sucessivos de 1894 a 1902, e de 1903 a 1906); e, finalmente, deputado federal de 1912 a 1914. Foi tenente-coronel (18 de setembro de 1890) e coronel (18 de abril de 1891) da Guarda Nacional. Fonte: https://fortalezas.org/?ct=personagem&id_pessoa=2018.

[v] Abdon Batista: nasceu em Salvador no dia 30 de julho de 1852, filho de Hermenegildo Batista e de Maria Girard Batista. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia. Mudou-se para Santa Catarina por volta de 1870. Filiado ao Partido Liberal, foi eleito deputado provincial em Santa Catarina e exerceu o mandato de 1884 a 1885. Três anos depois reelegeu-se para a legislatura 1888-1889, tendo exercido a presidência da Assembleia durante todo o período. Foi ainda presidente da província de Santa Catarina de 26 de junho a 19 de julho de 1889.  Após a proclamação da República em 15 de novembro de 1889 aderiu ao novo regime, mas logo depois desligou-se do Partido Republicano Catarinense. Foi um dos fundadores da União Federalista, transformada mais tarde em Partido Federalista de Santa Catarina. Em 1891 elegeu-se deputado à Assembleia Constituinte do estado, cumprindo mandato até 1894. Ao mesmo tempo foi prefeito de Joinville de 1893 a 1894. Nesse último ano, em razão da repressão à Revolução Federalista, asilou-se na Argentina. De volta ao Brasil em 1901, foi eleito deputado estadual mas, como não teve sua eleição validada, não assumiu o mandato. Em 1903 elegeu-se deputado federal por Santa Catarina para a legislatura 1903- 1905. Eleito vice-governador do estado em 1906, assumiu o governo de 21 de novembro desse ano, substituindo o governador Gustavo Richard. Em 1910, voltou a ocupar uma cadeira de deputado federal por Santa Catarina, em função da renúncia de Vidal Ramos, e exerceu o mandato até o fim da legislatura, em 1911. Reeleito, iniciou novo mandato em 1912, mas renunciou no mesmo ano para ocupar uma cadeira no Senado, deixada vaga por Lauro Müller, que havia sido nomeado ministro das Relações Exteriores no governo do marechal Hermes da Fonseca (1910-1914). Com a volta de Lauro Müller em 1917, deixou o Senado. No ano seguinte, elegeu-se novamente deputado federal para a legislatura 1918-1920. Voltou a responder pela prefeitura de Joinville de 1915 a 1918 e de 1919 a 1921. Faleceu em Joinville no dia 15 de março de 1922. Fonte: DANTAS, Carolina Vianna. BATISTA, Abdon. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BATISTA,%20Abdon.pdf.

[vi] PIAZZA, Walter Fernando (org). Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Edição da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1994.

[vii] SEYFERTH, Giralda. Etnicidade, política e ascensão social: um exemplo teuto-brasileiro. Mana, Rio de Janeiro, v. 5, n. 2, p. 61-88,  Oct.  1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/mana/v5n2/v5n2a03.pdf>. Acesso em: 25 de Maio de 2017.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sobre a Abertura da Serra do Rio do Rastro (em Homenagem a Enedino Batista Ribeiro)


No dia 14 de maio comemoraríamos o aniversário de Enedino Batista Ribeiro, pai desta pesquisadora, Ismênia Ribeiro Schneider. Em sua homenagem, relembramos algumas de suas lutas, e, em especial, a abertura da Serra do Rio do Rastro.
Resgatamos, portanto, o discurso realizado por Ismênia em 1999, para celebrar o centenário de nascimento de Enedino:

Discurso na Assembleia Legislativa sobre a vida política de Enedino Batista Ribeiro
Ismênia Ribeiro Schneider

Decorridos quarenta e oito anos, voltamos a esta Casa, todos os filhos de Enedino Batista Ribeiro, não mais para acompanhar nosso pai em sua posse como deputado, mas para participar desta Sessão Solene e agradecer as homenagens que lhe presta esta mesma augusta Assembléia, já agora para comemorar o centenário de seu nascimento.
Na 22ª Sessão Ordinária desta Câmara, no dia 02 de maio de 1951, sob a presidência de Volney Colaço de Oliveira, aos 51 anos de idade, apresentou-se Enedino a seus pares em discurso de improviso, transcrito nos anais da casa, em que afirmava: “quero falar do coração do povo de São Joaquim para o coração dos outros catarinenses aqui tão bem representados por seus 38 deputados”.
É o que faço também neste momento, Senhor Presidente, porque falar em Enedino Batista Ribeiro é falar em São Joaquim, tal era a sua ligação com a terra natal. Prestar-lhe homenagem é entoar loas àquela bela região.
Sentimo-nos, os familiares, emocionados, ao constatar que sua lembrança conseguiu reunir nesta solenidade pessoas de três diferentes gerações: contemporâneos seus, amigos de juventude, hoje colunas-mestras de nossa comunidade, como o Embaixador Licurgo Costa; cidadãos que, à época que estamos recordando, eram adolescentes ou jovens profissionais, como o Dr. Glauco Olinguer que na Secretaria da Agricultura encaminhava os projetos sobre pomicultura do deputado serrano; e a nova geração, aqui representada por seus descendentes e co-estaduanos mais moços, como alguns dos deputados da presente legislatura, Sandro Tarzan, por exemplo, nosso conterrâneo, que propôs à Casa esta homenagem, o que muito agradecemos.
Para informação dos mais jovens aqui presentes, Senhor Presidente, que não viveram nenhum dos acontecimentos relembrados neste momento, gostaria de recordar, brevemente, o contexto histórico em que aconteceu a vida pública do nosso homenageado:
- Terminadas a 2ª Guerra Mundial e a Ditadura Vargas, em 1945, teve início uma nova fase na vida pública, que propunha a redemocratização do país. Surgem novos partidos políticos, como a União Democrática Nacional (UDN), o Partido Social Democrático (PSD), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido de Representação Popular (PRP), o Partido Social Progressista (PSP), entre outros.
- Nas primeiras eleições que se seguiram, em dezembro de 1945, foi eleito Presidente da República o Marechal Eurico Gaspar Dutra. Em Santa Catarina, em janeiro de 1947, Aderbal Ramos da Silva, do PSD, elegeu-se Governador do Estado.
As eleições seguintes, de 1950, reconduziram Getúlio Vargas ao poder pelo PTB, apoiado, por acordo não oficial, pelo PSD, que tinha candidato próprio, Cristiano Machado. Em Santa Catarina vencia a coligação UDN – PTB – PSP – PRP – PL (Partido Libertador) – PDC (Partido Democrata Cristão), que elegeu governador do Estado o empresário itajaiense, Irineu Bornhausen.
- Com o governado federal, conseguiu o novo governador estabelecer um bom diálogo, com excelentes conquistas para Santa Catarina, principalmente através do Ministro da Agricultura, João Cleofas que, em 1952, ao convidar para seu chefe de gabinete o jovem deputado estadual udenista, Antônio Carlos Konder Reis, abriu para nosso Estado um importante canal de comunicação.
- Em nível estadual, porém, as dificuldades políticas foram grandes. O Executivo, em seus pleitos à Assembléia Legislativa conseguia, no máximo, a metade menos um dos votos dos deputados, isso porque o PSD conservou a maioria nesta Câmara. As disputas tornaram-se acirradas e sistemáticas, dificultando a aprovação de projetos essenciais ao desenvolvimento do Estado.
Irineu Bornhausen apresenta ao Legislativo, em sua mensagem de início de governo, as linhas mestras de um plano plurianual de investimento, que irá implementando à revelia da Oposição, que só foi aprová-lo em 1954, já no apagar das luzes dessa gestão. Concebido para ser executado em dez anos, terá efetivamente continuidade no governo seguinte, de Jorge Lacerda. O Plano, denominado Plano de Obras e Equipamentos – POE, trata das grandes tarefas estratégicas para atender às necessidades reconhecidas por todos: Estradas, Energia Elétrica, Agricultura, Educação e Saúde.
Alguns dos deputados daquela legislatura foram: Volnei Colaço de Oliveira, Ylmar Corrêa, Ivo Silveira, Fernando Osvaldo Oliveira, Elpídio Barbosa, Paulo Konder Bornhausen (filho de Irineu), Paulo Fontes, João Colin, João José de Souza Cabral, Osvaldo Bulcão Viana, Osvaldo Rodrigues, Konder Reis, e muitos mais.
A juventude catarinense, durante tantos anos cerceada em sua liberdade de expressão, viu-se tomada de entusiasmo pela coisa pública, envolvendo-se nas questões políticas, das quais passou a participar ouvindo rádio (pois não havia ainda televisão), lendo os principais jornais, “O Estado”, “A Gazeta”, “A República”, “O Diário da Manhã”. Participava também das alas jovens dos diversos partidos, de “grêmios estudantis”, etc. Tornou-se comum, por exemplo, os estudantes da capital trocarem a sessão da tarde do “Cine Ritz”, principal cinema da cidade, pelas sessões da Câmara dos Deputados, que ocorriam na quadra seguinte à daquele cinema, na Praça Pereira e Oliveira, onde ficava o belo palácio neoclássico do Legislativo Catarinense, totalmente destruído, com seu riquíssimo acervo, por um incêndio, em junho de 1956 e onde, hoje, funciona a TELESC. Do alto das galerias, passaram os jovens a “torcer” por seus deputados preferidos.
Esse, pois, o contexto!
Eis o homem!
Enedino Batista Ribeiro criou-se até os quatorze anos, numa grande fazenda de criação de gado, na divisa com o Rio Grande do Sul. Como no dizer do poeta, “livre filho das montanhas, pés descalços, peito nu”, galopava o menino pelas canhadas íngremes de campos verdejantes, extensos bosques de pinheiro e matas nativas, forjando o caráter, indômito e altivo, ao mesmo tempo simples e sem jaça, próprio dos altiplanos, até hoje característico do habitante daquelas paragens.
Apesar do isolamento próprio de uma fazenda, a movimentação era intensa, não só entre os seus inúmeros moradores, mas de viajantes em trânsito do Rio Grande do Sul para o município, ou em direção ao litoral sul do Estado, em busca do caminho mais curto entre as duas regiões, que era a estrada de tropeiros da Serra do Rio do Rastro. Com o mesmo destino, passavam pela fazenda as tropas que seriam vendidas naquele litoral.
Acostumou-se, pois, o menino, a participar das animadas conversas que aconteciam, tanto na sala de visitas, durante o dia, quanto ao pé do fogo de chão, nas “prosas” noturnas. O principal assunto dessas conversas eram as novidades políticas trazidas pelos viajantes ao Coronel João Batista Ribeiro de Souza, pai de Enedino que, assim, se inteirava da situação do país. Era o coronel um dos mais prestigiados chefes políticos do Partido Republicano no município, seguindo uma velha tradição de sua família, da qual saíram alguns dos mais importantes líderes da Região Serrana, como João da Silva Ribeiro, cujo nome, até hoje, denomina as praças centrais, tanto de Lages, como de São Joaquim.
Foi depois de viver nas duas maiores metrópoles do país, São Paulo e Rio de Janeiro, onde se formou em Farmácia, que mais agudamente se conscientizou do atraso em que se encontrava Santa Catarina, mas principalmente seu município, isolado entre montanhas.
De volta a São Joaquim, em 1924, inscreveu-se no Partido Republicano, passando a atuar na vida política de sua cidade.
Em 1944, casado e pai de nove filhos, resolve, com a esposa, mudar-se para a capital, a fim de proporcionar estudos universitários a todos os filhos.
Em 1950 é eleito deputado suplente pela União Democrática Nacional (UDN).
Exerceu o mandato por nove vezes, entre 1951 e 1954, perfazendo um período de dois anos e vinte e três dias, cada período, porém, não superior, em tempo contínuo, a alguns meses, o que muito prejudicou a consistência do seu trabalho e a aprovação de alguns de seus projetos. Quando assumia, porém, sua atuação era destacada, porque, por ser um brilhante orador, um trabalhador pertinaz, se fazia ouvir, e convencia seus pares da importância de seus pleitos.
Conseguiu aprovar vários projetos nos setores da saúde e da educação, mas seus esforços concentraram-se em duas áreas que considerava prioritárias para alavancar a saída imediata da Região Serrana, e principalmente, do seu município da sua condição periférica no contexto econômico do Estado, sem infraestrutura apropriada nem ao menos às atividades específicas de sua vocação natural agropastoril. Tornava-se urgente desencadear uma ação política que permitisse inserir as prioridades do município nas grandes metas em execução no Estado, através do Plano de Obras e Equipamentos. Essas duas áreas eram a Agricultura e os Transportes, a segunda suporte da primeira. O Executivo já havia reconhecido a necessidade de incentivar na Região Serrana a fruticultura de clima temperado e o cultivo do trigo, ao mesmo tempo, porém, constatando a impossibilidade de comercializar qualquer produção serrana, pela absoluta falta de estradas que ligassem o Planalto com o Litoral Sul, canal natural de escoamento dessa produção. O desenvolvimento dessas duas culturas eram também importantes em função de um objetivo maior do Estado que era torná-lo auto-suficiente no setor de alimentos e, ainda mais, otimizá-lo a ponto de competir com os demais mercados abastecedores do país.
Nessas condições, a solução para o problema da falta de estradas tornou-se tão, ou mais premente que o anterior. Estado praticamente cortado no sentido norte-sul pelas altas e rochosas escarpas da Serra Geral, tinha a maior parte de seu território isolado dos portos do litoral. Cumpre lembrar que nessa época, quando ainda não havia sido incrementada a indústria automobilística, o meio de transporte mais utilizado na direção dos grandes centros consumidores, Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente, era o marítimo. Por isso, a urgência em ligar o interior, por estradas macadamizadas, com nossos principais portos: Porto União com São Francisco, Curitibanos com Itajaí e São Joaquim com Laguna.
Outro fator, na Região Serrana, estava a exigir a ligação com o litoral: era a incipiente, mas fortíssima indústria madeireira, que rapidamente estava se tornando o principal índice das exportações catarinenses.
Os Aparatos da Serra, localizados justamente no trajeto São Joaquim – Bom Jardim – Laguna, o mais curto caminho entre as regiões, eram ponto inexpugnável, um desafio à engenharia rodoviária.
Pois bem!
Aproveitando o momento propício, imediatamente o deputado serrano desencadeou as ações necessárias à concretização de seus objetivos. Já em maio, apresentou uma indicação à Assembléia Legislativa, em conseqüência da qual foi celebrado no Rio de Janeiro, em 11 de setembro de 1951, um acordo entre o Governo da União e a Prefeitura, para a instalação, em São Joaquim, de um Posto de Fruticultura, que teve como primeiro diretor o engenheiro-agrônomo João Palma Moreira. Esse Posto foi o embrião para posteriores conquistas no setor, como o Projeto de Fruticultura de Clima temperado de 1968 que, em 1975, acabou por gerar uma Estação Experimental. Outrossim, em 1991, foi criada a EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A.), responsável pelo setor em nível estadual e, portanto, o órgão que continuou a desenvolver os serviços de pesquisa e extensão agropastoris em São Joaquim. No ano em curso [no caso, 1999], a Estação Experimental completa 30 anos, com Santa Catarina na situação de maior produtor de maçãs do Brasil, com 54% da produção nacional.
Logo após a instalação do Posto de Fruticultura, os técnicos sentiram necessidade de um posto de meteorologia na cidade, já que os dados climáticos que subsidiavam seu trabalho vinham dos Aparatos da Serra, no Rio Grande do Sul, a mais de 60 Km, e em um local com altitude de cerca de 600 m, bastante inferior aos 1415 m do posto joaquinense. Através de uma indicação ao Governo do Estado e de uma exposição de motivos ao Ministro da Agricultura, o deputado joaquinense conseguiu, em 1952, a instalação, naquela cidade, de um Posto de Meteorologia.
Concomitantemente, agindo como porta-voz do Governo Irineu Bornhausen, no dia 17 de maio de 1951, Enedino Batista Ribeiro apresenta uma indicação, com longa exposição de motivos, encarecendo a urgência da abertura da Serra do Rio do Rastro, estrada que viabilizaria o escoamento de toda produção do Planalto Serrano.
Em julho do mesmo ano, ao discursar em Laguna, Irineu Bornhausen anuncia a ligação direta das duas regiões através dessa rodovia. Mas, mesmo assim, o deputado joaquinense, incansavelmente, volta à tribuna, reivindicando o imediato início das obras, o que efetivamente acabou por acontecer ainda em 1951. O fato veio concretizar um velho sonho dos joaquinenses. Já em 1929, por exemplo, quando da inauguração da rodovia entre Lages e São Joaquim, falando em nome da Prefeitura, Enedino Batista Ribeiro afirmava que a “abertura dessa estrada seria o marco da independização da Região Serrana”.
Essa primeira etapa da Serra do Rio do Rastro (como passou a ser designada a partir de 1955), foi concretizada pela 5ª Residência de Estradas de Rodagem de Tubarão, porque a 11ª Residência, criada com vistas à execução dos vários projetos rodoviários de São Joaquim, Bom Jardim, Urubici e Bom Retiro, só foi instalada, sob a direção do engenheiro Lourenço Faoro, na primeira dessas cidades, em 1953.
O traçado atual da serra foi calcado na estrada para cargueiros que ligava Bom Jardim da Serra à localidade de Novo Horizonte no município de Lauro Müller, numa distância de 14 Km. O traçado completo da obra abrangeu, porém, cerca de 40 Km de estrada de difícil execução, trecho compreendido entre Lauro Müller e o topo da serra, sendo também construído ou melhorado o restante do percurso até a cidade de Bom Jardim. Ao final de sua gestão, Irineu Bornhausen subiu a serra em automóvel. A decisão e o grande empenho na construção dessa rodovia, considerada a mais bela do Brasil, orgulho da engenharia rodoviária catarinense, vincularam a obra, merecidamente, àquele governo, tanto assim que a estrada passou a ser chamada, oficialmente, “Rodovia Irineu Bornhausen” – a SC 438. A estrada continuou a receber melhoramentos ao longo das gestões seguintes, sendo que, finalmente, após 48 anos de beneficiamentos, como esperamos todos, sua implementação estará consolidada – com a instalação de sua iluminação – obra prometida, não mais só aos serranos, mas a todos os catarinenses, já que essa rodovia se tornou um cartão postal de nosso Estado.
Várias outras obras, nos mais diversos setores, foram realizadas com o concurso de Enedino Batista Ribeiro, mas, me parece, que só as aqui descritas já bastariam para inscrever seu nome no rol dos joaquinenses que muito contribuíram para o desenvolvimento de sua terra e de Santa Catarina.
No entanto, o que mais o enobreceu, foi, sem dúvida, o seu exemplo de vida, inteiramente dedicada à família e à causa pública, em São Joaquim, mas também em Florianópolis, onde exerceu suas funções com honestidade e empenho, quer como funcionário público, quer como professor universitário, quer como deputado.
Por isso, ocorre-me, Senhor Presidente, Srs. Deputados, Prezados Amigos, como o maior elogio que posso fazer a Enedino Batista Ribeiro, é encerrar o agradecimento que sua família faz a esta Casa, afirmando que ele, nascido nos confins de uma fazenda, destinado a simplesmente continuar a trajetória de seus antepassados, soube transpor inumeráveis obstáculos, o maior dos quais era o atraso educacional da sua região, e se tornar um dos joaquinenses mais esclarecidos e cultos de seu tempo, confirmando a lapidar afirmativa “de que na vida não há caminhos; o caminho se faz ao caminhar!
Obrigada.

Florianópolis, outubro de 1999.

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     Vale resgatar também, os Anais da Assembleia Legislativa, Estado de Santa Catarina, período de abril a agosto de 1951, p. 173-175, em que há o registro da fala de Enedino Ribeiro, então suplente de deputado estadual, sobre a importância e a urgência da abertura da Serra do Rio do Rastro. Seguem vários trechos da transcrição de seu discurso:

Anais da Assembleia Legislativa, Estado de Santa Catarina
Abril a agosto de 1951, p. 173-175

SR. PRESIDENTE – Está inscrito para falar, na hora do expediente, o sr. Enedino Ribeiro.
O SR. ENEDINO RIBEIRO – Pedi a minha inscrição para falar na hora do expediente a fim de apresentar uma indicação. Agora, neste momento, antes de fazê-la, o meu nobre colega, deputado Francisco Mascarenhas, acaba de informar que sua exa., o senhor Governador do Estado, deu entrevista a um jornal desta Capital, entrevista esta que se relaciona com o assunto que hora focalizo. Quero, contudo, dizer aos nobres colegas, que ignoro os termos dessa entrevista. [...] Principio as minhas atividades no que concerne, propriamente, às necessidades do município a que tenho a honra de representar. [...]
Honrado com a preferência da maioria do eleitorado do meu rincão natal, procurarei não decepcionar aquela boa gente – que está me estimulando com uma verdadeira chuva de telegramas de todos os quadrantes do município, sem cor partidária, de congratulações com o humilde filho de São Joaquim que tem assento nesta Colenda Assembleia, tribuna do povo, alto falante de Santa Catarina, através da palavra dos seus representantes.
Senhores deputados – O município de São Joaquim está completamente isolado do sul do Estado, constituindo a maior aspiração do seu povo a abertura da Serra do Rio do Rasto[1], ligando Lauro Müller à vila de Bom Jardim (no planalto), por estrada de rodagem.
Eu tenho a grata satisfação de anunciar desta tribuna, às populações de São Joaquim e do sul do Estado, que a sua velha e cara aspiração está prestes  a realizar-se, por isso que, a ligação desses dois mundos tão diferentes no seu aspecto físico e tão idênticos nos seus interesses políticos, sociais e comerciais, faz parte do grandioso plano rodoviário do Estado de Santa Catarina, cuja remodelação está sendo feita pelo Governo do eminente sr. Irineu Bornhausen. [...]
Se, pois, dúvida não há quanto à ligação do planalto catarinense com a região sul do Estado, restar-me-á apenas demonstrar neste modesto trabalho – por que ponto da Serra Geral deverá efetivar-se a ligação rodoviária, que só poderá ser no trecho denominado Serra do Rio do Rasto, pelos poderosos e indisfarçáveis motivos que a seguir vão expostos: [...]
De 1944 para cá, tanto em baixo como em cima da Serra, verificaram-se melhoramentos notáveis, como abertura de pequenos trechos de estradas de rodagem, que devem fixar ainda mais as vistas do Poder Executivo para a estrada pela Serrado Rio do Rasto ou suas imediações.
Coisa de uns três anos atrás a Cia. Gaúcha Madeireira de Passo Fundo fez construir grandes serrarias para exploração em grande escala de pinho-serrado, todas ou quase todas construídas no 2º distrito de Bom Jardim, prestando relevantes serviços à comuna joaquinense. Dentre os arrojados empreendimentos da Gaúcha Madeireira, releva notar a instalação de cabos aéreos numa das gargantas da Serra do Rio do Rasto, verdadeiro “caminho aéreo” por onde desce toda a produção de suas serrarias destinadas aos portos de Laguna e Imbituba. Este empreendimento audacioso trouxe uma consequência inevitável a construção de uma rodovia que ligue os cabos aéreos à vila de Bom Jardim. De sorte que nos 40 quilômetros aportados pelo sr. Pedro Brando[2], distância que separa a vila de Bom Jardim dos trilhos da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, apenas oito ou dez não estão entregues ao tráfego pesado de caminhões carregados.
Verdade seja dita que os 8 ou 10 quilômetros restantes, terão que ser cortados nos ciclópicos paredões da Serra Geral – o nó górdio – da ligação São Joaquim – Lauro Müller. Entretanto, releva dizer, homens de boa fé, perfeitos conhecedores daquelas alcantiladas paragens, afirmam existirem na Serra do Rio do Rasto, à esquerda de quem sobe a Serra pela atual estrada perfeitamente carroçável, altiplanos (lombas) conjugados a gargantas (desfiladeiros), que darão excelente traçado, aproveitando-se quase toda a quilometragem já em tráfego.
Temos certeza que o honrado Chefe do Executivo Estadual, tão logo seja possível, mandará iniciar pelos seus engenheiros o estudo in loco daquela difícil paragem da Serra do Rio do Rasto.
E para encerrar essa exposição de motivos, que já vai longe, quero levar em imaginação, meus nobre colegas, por automóvel, do caminho aéreo da boca da Serra do Rio do Rasto à florescente cidade de Joaçaba. Será isto possível? Perfeitamento, senhores deputados. Seis horas da manhã. Partida da estação inicial dos Cabos de Aço da Gaúcha Madeireira; meia hora depois passagem pela vila de Bom Jardim; quinze minutos mais, passagem pela grande ponte sobre o rio Pelotas, que foi reconstruída no governo do dr. Aderbal Ramos da Silva, e que é uma grande obra de arte; em seguida ponte sobre o Rio da Porteira, ponte sobre o Rio Mantiqueira e às 9 horas chegada, com muita sobra de tempo, na cidade de São Joaquim, e teremos percorrido 60 quilômetros. Prosseguindo viagem para Lages, chegaremos nesta cidade com 3 horas de corrida sobre 90 quilômetros com uma passagem sobre balsa no Rio Lavatudo. De Lages a Joaçaba, passando por Campos Novos, pouco menos de 200 quilômetros. Tudo somado, mais o trecho da Boca da Serra a Lauro Müller, não passa de 370 quilômetros.
Assim teremos uma visão deslumbradora, e querida ao coração de todos os catarinenses amantes da sua terra, as pontas dos trilhos da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina à Estação ferroviária da Rede Viação Paraná-Santa Catarina, no grande centro industrial que é Joaçaba.
Recapitulando, para aqueles que não conhecem de perto a região, não percam de vista, o restinho que nos falta para atingirmos à plenitude dessa estupenda realidade, repito: restam-nos apenas 10 quilômetros, no máximo, através dos penhascos da Serra do Rio do Rasto.
Serão esses dez quilômetro, ou mais um pouco que seja devido às possíveis variantes, um bicho-de-sete-cabeças?
Não acreditamos em bicho-de-sete-cabeças, quando estão à frente do Governo do Estado e da Secretaria da Viação Obras Públicas, homens da visão, do patriotismo e do dinamismo de Irineu Bornhausen e João Colin.
Passo a ler a cópia do ofício dirigido pela dita Cia. Ao Ministro da Viação e Obras Públicas, General João de Mendonça Lima, que me chegou às mãos por gentileza do meu particular amigo e distinto joaquinense José Jaime Vieira Rodrigues:
Cópia do Ofício dirigido pela Cia. Ao Ministro da Viação e Obras Públicas, General João de Mendonça Lima
Rio de Janeiro, 21 de março de 1944
Exmo. sr.
General João de Mendonça Lima,
DD. Ministro da Viação e Obras Públicas
De acordo com a exposição que tive a oportunidade de fazer a v. excia., sobre as possibilidades de ser melhorada, no interesse coletivo, a estrada de rodagem que liga a região serrana à estação de Lauro Müller, ponto terminal da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina no estado de Santa Catarina, e, ainda de acordo com a autorização que me concedeu v. excia., venho sobre o mesmo assunto apresentar os motivos seguintes, que justificam o pedido dirigido a v. excia., no sentido de ser melhorada a citada estrada de rodagem:
1º - A zona Serrana de Bom Jardim, no município de São Joaquim e no Estado de Santa Catarina, e, economicamente, um dos principais pontos vitais do estado, quer pela riqueza e fertilidade do solo, quer pela enorme produção pecuária verificada desde longa data. Possui extensas e majestosas florestas de pinheiros seculares, cujo aproveitamento se torna evidente na época atual.
2º - Devido à não existência de uma rodovia em condições, quase nada do que existe naquela Região é aproveitável.
3º - A distância que separa a vila de Bom Jardim (no planalto) e a de Lauro Müller, ponto terminal da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, mede 40 quilômetros aproximadamente. a estrada que liga Lauro Müller e Guatá, numa extensão de 6 quilômetros, já foi construída pela Cia. Nacional de Barro Branco, em perfeitas condições técnicas, e está aparelhada para o tráfego pesado, como seja: o transporte do Carvão por caminhões, etc. Entre as localidade de Guatá e Novo Horizonte (6 quilômetros) e de Novo Horizonte ao Pé da Serra (6 quilômetros) a estrada atual com pequenas variantes e com trechos de muito fácil reconstrução, poderá entrar em tráfego imediatamente.
4º - O Governo Federal, num seu decreto-lei sobre a construção duma estrada estratégica nesta zona, ligando-a ao litoral, diz que a mesma deverá unir-se à Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina pelo ponto mais perto, sendo que este é Lauro Müller.
5º - As populações vizinhas lastimam a falta de comunicação rodoviária rápida com a vila de Bom Jardim, razão por que isso asseguraria o abastecimento integral dos seus mercados, ora vazios.
6º - A Companhia Nacional Mineração de Carvão Barro Branco, dessa Organização, compreendendo as localidades de Lauro Müller, Guatá e Rio Bonito, no Estado de Santa Catarina, vem lutando com grande dificuldade para adquirir madeiras de construção. No presente, devido à intensificação da produção do Carvão, urge aumentar também o número de casas para dar abrigo a operários recém-chegados, o que facilmente se poderia executar se houvesse ligação rodoviária com o Planalto Serrano, onde há madeira em abundância, distante apenas 40 quilômetros dessas localidades.
7º - A mesma Companhia, em relação ao projeto da construção duma rodovia para trânsito de automóveis e congêneres, ligando-a a região serrana, está assaz interessadíssima, visando não só a aquisição de madeiras, mas, também, os produtos lacticínios que lá serão produzidos eventualmente, bem como outros víveres de primeira necessidade, tudo para ser destinado ao consumo de seus operários.
8º - Ainda a Companhia Barro Branco possui, no escritório de seu escritório técnico, um traçado da referida estrada, cujo plano propõe reduzir 5 quilômetros da distância do caminho existente, apresentando, também melhores condições técnicas.
9º - A rodovia em apreço já existe, porém desprezada, carecendo de desvios, alargamento e conserva para ser transitável.
10º - A Companhia Siderúrgica Nacional em Tubarão, sem esse empecilho, poderia obter as quantidades necessárias de madeira para sua utilidade no Estado de Santa Catarina, zona de Bom Jardim, sem precisar recorrer ao pinho paranaense para efetuar suas construções.
11º - Quase todas as fazendas serranas estão providas de quedas d’água que são suficientes para a instalação de quaisquer indústrias, tais como serrarias, etc.
Caso delibere v. excia. em face do exposto, pela abertura da estrada mencionada, prontifica-se, caso concorde v. excia., a Companhia Barro Branco em contribuir prestando assistência técnica aos trabalhos correspondentes, e concordando também v. excia., os demais interessados, fazendeiros residentes na vila de Bom Jardim e imediações, contribuirão pecuniariamente, de acordo com a relação que junto apresente. [...]
Indicação
Sr. Presidente,
O deputado signatário desta, requer a v. excia., se digne a encaminhar ao Poder Executivo a Indicação abaixo, depois de aprovada pela Assembleia.
Considerando que consta do Plano Rodoviário do Estado a ligação de São Joaquim com os municípios do sul;
Considerando que, para o aludido fim, acham-se em estudo dois traçados para a abertura da Serra Geral, um que liga a cidade de Orleães à Vila de Pericó, no município de São Joaquim, e o outro entre Lauro Müller, PONTO TERMINAL DA ESTRADA DE FERRO DONA TERESA CRISTINA, e a Vila de Bom Jardim (no planalto), tendo como ponto de referência a Serra do Rio do Rasto;
Considerando que o primeiro destes traçados atravessa uma região acidentadíssima, numa extensão de cerca de noventa quilômetros;
Considerando que a distância que separa a Vila de Bom Jardim e a de Lauro Müller mede apenas quarenta quilômetros aproximadamente;
Considerando que desses quarenta quilômetros grande parte já está servida por estrada de rodagem em perfeitas condições técnicas e aparelhada para o tráfego pesado,
Indicamos
Que o excelentíssimo Sr. Governador do Estado determine a abertura da Serra do Rio do Rasto, tão logo seja possível, por estrada de rodagem, ligando a vila de Lauro Müller, ponto terminal da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, à vila de Bom Jardim no município de São Joaquim.

Sala das Sessões, 17 de maio de 1951.
(a.)  Enedino Batista Ribeiro

Anais da Assembleia Legislativa, Estado de Santa Catarina. Abril a Agosto de 1951. Cada deputado recebia um exemplar deste documento.


Serra do Rio do Rastro em fase de construção. Fonte: https://santanamineracao.blogspot.com.br/2013_11_01_archive.html


Foto antiga da Serra do Rio do Rastro. Fonte: https://santanamineracao.blogspot.com.br/2013_11_01_archive.html



Serra do Rio do Rastro. (Fonte: site Clickrbs)

Serra do Rio do Rastro. (Fonte:site GGN)

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Dados de Enedino Batista Ribeiro:
Nasceu em 14 de maio de 1899, em São Joaquim da Costa da Serra – SC, Fazenda São João de Pelotas - divisa com o Rio Grande do Sul.
Morte: 10/04/1989.
Filiação: João Batista Ribeiro de Souza (1860-1944) e Cândida dos Prazeres Batista de Souza (1871- 1930).
Casamento: Lydia Palma (01/06/1902 - 14/10/1980), joaquinense, filha de Ignácio da Silva Mattos (1860 - 15/07/1935), “Inácio Palma”, e de Esmênia Pereira Machado (27/01/1869 - 16/09/1934), “Ismênia Palma”.
Data do casamento: 24/04/1926.

Descendência:
1- Ernani Palma Ribeiro;
2- João Batista Ribeiro Neto;
3- Selva Palma Ribeiro;
4- Yolita Ribeiro Werner;
5- Yara Palma Ribeiro;
6- Elba Palma Ribeiro (falecida em 1934);
7- Ismênia Ribeiro Schneider (nascida Ismênia Ribeiro);
8- Iponá Ribeiro Szpoganicz (nascida Iponá Palma Ribeiro);
9- Enedino Ribeiro Filho;
10- Gleci Palma Ribeiro Melo (nascida Gleci Palma Ribeiro).

Mais informações sobre Enedino Batista Ribeiro em:
Dados sobre os filhos:



Notas



[1] Passou a ser designada como Serra do Rio do Rastro a partir de 1955.
[2] Ex-superintendente da Cia. Nacional do Barro Branco, técnico no assunto.