quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Adolfo José Martins

Dedicamos esta matéria a um personagem importante do planalto serrano, que teve relevante papel para a região, em especial no que diz respeito à Educação.
Adolfo José Martins foi professor, fundador e editor, em 1906, da Gazeta Joaquinense, pecuarista e também teve sua participação na política como deputado estadual (1935-1936) e vereador por São Joaquim. Era um grande amigo de Tito Carvalho, notável jornalista e escritor.
Para descrever um pouco sobre a sua vida e suas realizações, apresentamos aqui a sua autobiografia (enviada pelo descendente Henrique Brognoli Martins, a quem agradecemos).

Autobiografia de Adolfo José Martins

Filho do modesto casal – Sr. Gustavo José Martins, operário construtor, e D. Saturnina Maria Martins – nasceu Adolfo José Martins a 13 de agosto de 1885, na bela e florescente cidade de Lages, onde fez, com grande aplicação e aproveitamento, o curso secundário, no extinto “Colégio S. José”, dirigido pelos reverendos Padres Franciscanos, e que gozou da equiparação ao Ginásio Nacional.
Sem as necessárias possibilidades para ingressar em escola superior, ideal que acariciava, abraçou Adolfo Martins o magistério, transportando-se, aos 18 anos, para a então vila de São Joaquim, onde fundou, em 1904, o pequeno “Colégio 2 de Maio”, que, movido com muito esforço e rara dedicação, manteve-se durante cinco anos, admitindo a colaboração de mais professores. Dos valiosos benefícios prestados à juventude joaquinense pelo modelar educandário, que o diga a pública opinião daquele rico e futuroso município.
Em 1906 fundou Adolfo Martins, em São Joaquim, hebdomadário “Gazeta Joaquinense”, que se fez acérrimo defensor dos interesses do altivo torrão serrano. Diante das insuperáveis dificuldades para a manutenção de um jornal, naquela época, o bem feito semanário teve a curta duração de 3 anos.
Atendendo a um convite que lhe dirigira o Prefeito Municipal de Tubarão, Cel. João Cabral de Melo, o prof. Adolfo Martins, visando mais vasto campo para as suas atividades, transferiu-se para aquela cidade, onde abriu, com imediata e numerosa matrícula, o pequeno estabelecimento de ensino denominado “Guia do Futuro”, mantendo ainda um curso noturno para moços, tudo, porém, com a rápida duração de um ano. Com a saúde um tanto abalada e sentindo falta do magnífico e invejável clima serrano, resolve Adolfo Martins deixar a Cidade Azul (Tubarão), voltando ao seu querido planalto joaquinense, ficando no povoado Bom Jardim, então em formação. Geral e grandemente amparado pela respectiva população, fundou aí pequeno internato colegial, que mereceu numerosa frequência, inclusive de jovens gaúchos, do vizinho município de Vacaria. Teve a proveitosa duração de seis anos.
Em 1909, o prof. Adolfo Martins contraiu casamento com a Srta. Dolores Ribeiro, filha do estimado fazendeiro, Sr. Manoel Cecilio Ribeiro e D. Rosalina de Oliveira Ribeiro.
Da feliz união, houve os seguintes filhos:
Tulio Ribeiro Martins, falecido aos 3 anos de idade.
Dr. José Moacir Ribeiro Martins, médico, falecido a 25 de janeiro de 1955;
Ceniro Ribeiro Martins, industrialista, casado com D. Anita Rodrigues Martins;
Maria de Lourdes Martins, casada com o dr. Nilo Sbruzzi, cirurgião dentista;
Odacira Ribeiro Martins, casada com o dr. Dimas Antunes de Oliveira, agrônomo;
Dr. Hélio Ribeiro Martins, químico industrial, casado com d. Maria Lília Martins;
Dr. Manoel Cecilio Ribeiro Martins, engenheiro civil, casado com Maria do Carmo Martins;
Doraci Ribeiro Martins, casada com o sr. Armando Gualberto Guédes, comerciário; e
Celso Ribeiro Martins, comerciante, casado com d. Odete Martorano Martins.

Em 1917 passou o prof. Adolfo Martins a empregar suas atividades na indústria pastoril, fixando residência na histórica fazenda “N. S. do Socorro”, ampliando-a e desenvolvendo-a com muita felicidade.
Em 1928 foi triste e profundamente golpeado com o prematuro e inesperado falecimento, em Florianópolis, de sua estremecida esposa, D. Dolores Ribeiro Martins, ficando o enlutado lar com oito menores no desamparo materno.
Quatro anos mais tarde, contraiu segundas núpcias com a Srta. Isabel Nunes, professora normalista e filha do conceituado casal, sr. Luiz Teixeira Nunes e Snra. D. Minervina Mendonça Nunes, havendo mais os seguintes filhos:
Dolores Nunes Martins, casada com o dr. Wolny Della Rocca, químico industrial;
Isabel Nunes Martins, casada com o sr. José Wilson Muniz, industrialista;
Adolfo Luiz Nunes Martins, técnico em contabilidade, casado com d. Maria Selma Varela Martins;
Neide Nunes Martins, técnica em contabilidade e casada com o dr. Claudio Ramos Floriani, diplomado em ciências contábeis;
Salvio Nunes Martins, Odete Nunes Martins e Rogério Nunes Martins, estudantes ginasianos [na época em que Adolfo escreveu sua autobiografia, ver notas abaixo].
Além de seus exaustivos e nobres trabalhos profissionais, o prof. Adolfo Martins prestou relevantes serviços públicos, exercendo os seguintes cargos:
Em 1918, com apreciável votação, eleito o conselheiro municipal.
Em 1934 foi nomeado intendente de Bom Jardim, 2º Distrito do município, encargo que deixou para candidatar-se a deputado estadual, o que alcançou. Mas, sua permanência no Legislativo do Estado foi de curta duração, devido ao golpe ditatorial de 10 de novembro de 1937, dissolvendo o Legislativo Nacional.
Em 1947 foi eleito vereador pelo Partido Social Democrático, obtendo o primeiro lugar em votação.
Novamente candidato a deputado estadual, em 1950, alcançou honrosa votação em seu município, então de pequeno eleitorado. Prevista como certa e vitoriosa a sua eleição, não o conseguiu, entretanto, faltando-lhe cento e poucos votos, consequência dos seguintes motivos: a nulidade de uma urna de 240 eleitores – Santa Isabel (S. Joaquim) – e a comprovada deslealdade de correligionários seus, por ocasião da apuração, em Lages, desviando para outro candidato a maioria da expressiva votação que ali merecera de seus conterrâneos e parentes lageanos. Testemunhas de tão desleal ato, afirmam que o mesmo fora praticado – diante da antevista certeza votação suficiente, em S. Joaquim, ao candidato Adolfo Martins. Prejudicada, entretanto, foi a comuna joaquinenese, cujo escolhido representante foi injustamente afastado para a suplência, onde classificou-se em segundo lugar.
Sempre movido da melhor boa vontade e incansável operosidade, o prof. Adolfo Martins muito fez em prol da ereção da hoje florescente vila de Bom jardim, pitorescamente situada nas proximidades da soberba Serra Geral. Com elevado alcance e dedicação, dirigiu a construção, de material sólido, da confortável igreja matriz, sob a invocação de N. S. do Socorro, promovendo com carinhoso cuidado o revestimento do mesmo templo.
Valiosamente amparado pela esforçada comissão fundadora, constituída pelos fazendeiros Sres. Prudente Luiz Vieira, Antão de Paula Velho, José Caetano do Amaral, Manoel Cecilio Ribeiro, Ranier Cassetari, Emilio Benevenuto Ribeiro, Manoel Ignacio Esteves, João Francisco Rodrigues, Joaquim Ezirio, Vitorino Rodrigues Machado, Taurino Gonçalves Padilha e outros – o Sr. Adolfo Martins dedicou-se com acendrado patriotismo, na formação e organiza do “Clube Recreativo Bonjardinense”, sociedade já instalada em confortável edifício próprio e quem em 30 de abril de 1960, comemorará o cinquentenário de próspera e proveitosa existência.
Dentre os muitos e valorosos serviços que o prof. Adolfo Martins prestou ao seu querido torrão adotivo, cumpre salientar o seguinte de relevante importância: quando se procedia a medição e divisão judicial da grande fazenda “Pelotas”, que abrangia a novel povoação, pleiteou com desdobrado empenho, conseguindo, dos respectivos condôminos, a doação de um milhão de metros quadrados de excelente e apropriado terreno, para patrimônio da vila de Bom Jardim, o que, como é natural, muito tem contribuído para o seu desenvolvimento.
Politicamente falando, Adolfo Martins, sem outro interesse a não o bem estar do seu município, ocupou sempre destacada posição em seu partido, o Social Democrático, cuja presidência deixou ao transferir-se para Lages.
Católico praticante, desde sua juventude, o prof. Adolfo Martins, sempre com dedicação e amor, colaborou seguidamente em associações beneficentes-religiosas, como sejam: Congrega Mariana, Apostolado da Oração, Fraternidade Vicentina, Ordem IIIª de S. Francisco, Irmandade do SS. Sacramento.
É membro da benemérita associação “Beneficência dos Professores de Santa Catarina”.
Já com idade avançada e com a saúde um tanto abalada, resolveu, em 1953, arrendar a fazenda N. S. do Socorro, de propriedade da família, passando a residir em sua querida cidade de São Joaquim, onde sempre desfrutou vasto circo de sólidas amizades.
Por motivos familiares, transferiu-se, em 1955, para sua cidade natal – a Princesa da Serra – onde, em doce convívio com seus conterrâneos, promove a instrução dos últimos de sua numerosa prole.

Dezembro de 1959.

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Notas:
*Salvio Nunes Martins casou-se com Nara Ramos (Martins)[i].
**Odete Nunes Martins (Zanatto) casou-se com Rani Zanatto.

Em 07/10/1963 foi inaugurada em Bom Jardim da Serra, a Escola Básica Adolfo José Martins, com a presença do homenageado.
Adolfo José Martins faleceu em 23/10/1968.

Adolfo José Martins. (Foto fornecida por Henrique Brognoli Martins)




















Adolfo José Martins.




Filhos de Adolfo José Martins e Dolores Ribeiro. (Foto fornecida por Henrique Brognoli Martins)


Filhos de Adolfo José Martins e Isabel Nunes (Dona Belinha). (Foto fornecida por Henrique Brognoli Martins)


No Grupo escolar Adolfo José Martins de Bom Jardim da Serra, na ocasião do centenário de nascimento de Adolfo, quando foi descerrada placa comemorativa.
Da esquerda para direita os filhos: Ceniro Ribeiro Martins e a esposa Anita, Odacyra Martins Antunes, Manoel Cecilio Ribeiro Martins e a esposa Carminha, e o então Prefeito Antonio Carlos do Amaral Velho. (Foto fornecida por Henrique Brognoli Martins)


Referências

Autobiografia de Adolfo José Martins, fornecida pela descendente Henrique Brognoli Martins.

Fotos da Família, fornecidas por Henrique Brognoli Martins.



[i] Notícia sobre o falecimento de Adolfo José Martins. 1968 (fornecida por Henrique Brognoli Martins, descendente de Adolfo).

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Rua Marcos Fontanella

       
        Dando continuidade às matérias sobre os personagens históricos que deram nome às praças e ruas de São Joaquim (SC), hoje apresentamos uma matéria sobre a Rua Marcos Fontanella, que se localiza no centro da referida cidade.
            Segundo dados levantados por Enedino Batista Ribeiro (por volta de 1950), a família é de origem italiana, tendo-se radicado em São Joaquim.
            Marcos Fontanella é o primeiro membro dessa família de que temos informações mais detalhadas. Ele nasceu em 20/10/1874 (Langarone, Beluno, Itália), e faleceu em 18/08/1949. Filho dos italianos João Fontanela (falecido em 1938 – aos 95 anos) e Francisca Fontanela Castelon.
            Marcos se casou com Magdalena Fontanela de Bona Sartor, nascida também em Langarone, Beluno, Itália, em 03/12/1876. Filha de Mateus de Bom Sartor e de Dominga de Bona.
            Tanto Marcos, como sua esposa Magdalena, “vieram para o Brasil ainda crianças, quando seus pais fixaram residência no município de Urussanga. Casaram-se nessa mesma cidade onde tiveram nove filhos”. Mais tarde, mudaram-se para São Joaquim. “Ao longo da vida, Marcos participou da história e contribuiu para o desenvolvimento do município de São Joa­quim, destacando-se no ramo político, comercial e, em especial, na construção civil, herança que deixou aos filhos”[i].
“Além do ministro da Agricultura Reinhold Stefanes, sobrinho-neto de Marcos Fontanella, também figuram o ex-prefeito de São Joaquim, Newton Stélio Fontanella, que além de fazer parte dessa família, é casado com uma bisneta de Marcos”, e, ainda, Luis Carlos Pinheiro Filho, que foi vice-prefeito de Lages, e “é tetraneto de Marcos Fontanella”i.

Notas:
* Newton Stélio Fontanella (conhecido como “Doutor Téio”) era médico, filho de Matilde e Idalgo Fontanella. Casado com Eliane Góss Fontanella, “Nani”. Foi prefeito de São Joaquim de 2001 a 2004 e reeleito para a gestão 2005 a 2008 pelo Partido Progressista (PP)[ii]
** Luis Carlos Pinheiro Filho (nasc. 12/11/1972, São Joaquim) foi vice-prefeito de Lages no mandato de Renato Nunes de Oliveira.

Filhos de Marcos e Magdalena:

F1 – JOÃO FONTANELLA NETO. Nasceu em Urussanga em 22.04.1895.
Esposa: Gilbertina Cassão Fontanella, filha de Antônio José Martins Cassão (natural de Portugal, 1863 - 28/05/1902[iii]) e de Eulália da Silva Mattos Cassão[iv] (21/11/1867 - 28/04/1962iii).
Nota: Eulália da Silva Mattos (Cassão, depois de casada) é filha de Joaquim das Palmas da Silva Mattos (02/05/1831 - 25/10/1916) e de Theodora Alves da Silva (20/09/1840 - 15/12/1937).
Casamento de João e Gilbertina: 6 de junho de 1922, São Joaquim-SCiii.
Filhos[v], [vi]:
N1.1 – Gerves Fontanella (nasc. 24/07/1922), c.c. Ailmê Maciel (11/12/1926 - 28/11/2013).
N1.2 – Appio Fontanella (nasc. 23/07/1923), c.c. Jurdelina Pereira.
N1.3 – Enny Fontanella Cassão (nasc. 05/09/1924), c.c. Enedino Goulart.
N1.4 – Gecy Fontanella (nasc. 02/11/1925), c.c. Holler Jorghe Bleyer.
N1.5 – Marcos Fontanella Neto (nasc. 21/12/1929), c.c. Alzina Ribeiro Souza.
N1.6 – Antonio Fontanella, c.c. Ione Rossolin.
N1.7 – José Fontanella (falec. 02/05/2014), c.c. Maria Ceris Goulart Vieira.

F2 – DOMINGAS FONTANELLA (CRUZ), nascida em 1898, em São Joaquim-SCii.
Esposo: GREGÓRIO PEREIRA DA CRUZ (1881 - 11/11/1960vi), filho de Francisco Zeferino Lopez da Cunha Matos e de Inácia Teodora Pinto de Arruda Lima (23/01/1862 - 19/02/1940).
Casamento: 27 de julho de 1918.

Notas:
* Domingas foi a segunda esposa de Gregório Pereira da Cruz; Gregório era viúvo de Maria da Conceiçãoiii.
**Gregório Pereira da Cruz: sobrenome atribuído pelos pais, por haver nascido no dia da Santa Cruz. O nome original seria Gregório Pereira da Cunha Mattos[vii].

Filhos de Domingas e Gregório[viii]:
N1.1 – Normélia Fontanella Pereira da Cruz (nasc. 23/05/1919).
N1.2 – Norma Fontanella Pereira da Cruz (nasc. 06/11/1926).
N1.3 – Alcidomiro Pereira Cruz (nasc. 26/11/1928).


F3 – LETÍCIA FONTANELLA.
Ficou solteira.

F4 – POMPÍLIO FONTANELLA (nasc. 29/07/1901)vii.
Casou:
1ªs núpcias: EULIRA PEREIRA DA CUNHA MATOS, filha de Sebastião Pereira da Cunha Matos e de Maria dos Santos Souza.
Casamento: 31 de dezembro de 1921, São Joaquim-SC.
Filhos[ix]:
N1.1 – Necy Fontanella (nasc. 1922).
N1.2 – Acy Fontanella (nasc. 23/06/1923).
N1.3 – Jany Fontanella (nasc. 1925).

2ªs núpcias de Pompílio: ADELINA DE SOUZA VENÇÃO (FONTANELLA), filha de Antonio Raphael Venção e Fortunata Cavalheiro do Amaral.
Filho:
N1.4 – Pennaforte Fontanella (04/07/1927 - 10/06/1957)[x].

F5 – DOZALINA FONTANELLA.
Esposo: TEÓFILO VITORINO DA SILVA
Nº de filhos: 03.

F6 – ROSÁLIA FONTANELLA.
Ficou solteira.

F7 – HONÓRIO FONTANELLA (nasc. 13.03.1907).
Esposa: MARIA COUTO FONTANELLA (nasc. 22.02. 1907).
Nº de filhos: 03.

F8 – DIAMANTINA FONTANELLA CÓRDOVA (09/09/1909 - 18/07/1968vii).
Esposo: VIDALINO DE SOUZA CÓRDOVA (22/09/1907 - 23/09/1969), filho de Francisco Thomaz de Souza (nasc. 05/01/1873) e de Madruga de Córdova (nasc. 26/10/1881).
Filhosvii:
N8.1 – Rômulo Fontanella Cordova, c.c. Cecília Vieira de Souza, filha de Maurício Paulino de Souza e de Clara Waltrick de Souza.
N8.2 – Maria Eloy Cordova.
N8.3 – Leni Fontanella Cordova.
N8.4 – Ivani Fontanella Cordova.
N8.5 – Valdir Fontanella Cordova.
N8.6 – Eoli Terezinha Fontanella Cordova.
N8.7 – Eolita Fontanella Cordova.
N8.8 – Lui Gonzaga Fontanella Cordova.
N8.9 – Rita D. Fontanella Cordova.
N8.10 – José Tadeu Fontanella Cordova.
N8.11 – Francisco Marcos de Souza(?).
N8.12 – Maria de Lourdes Fontanella Cordova.
N8.13 – Aracy Fontanella Cordova.

F9 – LÍDIO FONTANELLA (nasc. 15/10/1912vii).
Esposa: JUREMA BRASIL FONTANELLA (nasc. 20/04/1912).
Nº de filhos: 11, sendo que temos informações sobre 4:
N9.1 – Tarcízio Paulo Fontanella (nasc. 28/06/1942).
N9.2 – Ieda Brasil Fontanella (nasc. 19/02/1949).
N9.3 – Lídio Brasil Fontanella (?) (nasc. 20/03/1954).
N9.4 – Basílio Brasil.



Figura 1 - Rua Marcos Fontanella, São Joaquim (SC) [Google Street View 2011].


Referências

Dados de Enedino Batista Ribeiro. Acervo privado de Ismênia Ribeiro Schneider.



[i] Blumenópolis. Família Fontanella promove encontro, 2009. Disponível em: http://www.blumenopolis.com.br/archives/6215. Acesso em: 31/07/2017.
[ii] DC, Diário Catarinense. Morre ex-prefeito de São Joaquim Newton Fontanella. Dez. 2009. Disponível em: http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2009/12/morre-ex-prefeito-de-sao-joaquim-newton-fontanella-2752858.html. Acesso: 03/08/2017.
[iii] Dados inseridos no site Genoom por Rogério Palma de Lima.
[v] Dados de Glacy Weber Ruiz. Disponível em: http://www.familiasilvamattos.com.br/joaquim_silva_mattos_sobrinho.html.
[vi] Dados inseridos no site Genoom por Marli Fontanella e Tania Aparecida Costa.
[vii] Informações inseridas no site Genoom por Miguel Angelo Silveira e Tania Aparecida Costa.
[viii] Dados inseridos no site Genoom por Tania Aparecida Costa.
[ix] Dados inseridos no site Genoom por Rogério Palma de Lima e Tania Aparecida Costa.
[x] Registro de nascimento de Pennaforte Fontanella, 1927. Disponível em: https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-61N9-H29?i=143&wc=MQ51-SZ3%3A337699901%2C337699902%2C338163601&cc=2016197

quarta-feira, 5 de julho de 2017

As fortunas da Comarca de Lages no séc. XIX - Quanto valiam os Montantes de Bens?

          Ismênia Ribeiro Schneider
Cristiane Budde

         Quando se examina um inventário do século XIX, observa-se que a moeda utilizada naquele tempo era bastante diferente da que as pessoas estão acostumadas a ver hoje. A maneira de escrever o montante de bens também é distinta, e não é fácil compreender qual seria o valor aproximado dele na atualidade. Muitas vezes, nem se sabe identificar qual é a moeda utilizada na época e nem como deve ser lida a sua notação numérica.
            Esta matéria versará sobre a moeda “réis”, que é a que consta no inventário de diversas figuras importantes da Comarca de Lages, como Cel. João Ribeiro, Antonio da Silva Mattos (Tonico das Palmas), João Baptista de Souza (Inholo), entre tantos outros.
            O nome “Réis” (Rs ou $) é derivado do “Real”, “moeda portuguesa dos séculos XI e XVI, época do descobrimento do Brasil” (BCB, 2007). Sua utilização no Brasil ocorreu desde o período da Colonização (início do séc. XVI) até 30 de outubro de 1942, quando foi substituída pelo Cruzeiro (Cr$) (BCB, 2007).
Exemplo de sua notação numérica e leitura (BCB, 2007):
   
Rs0$500 = $500 = Quinhentos réis
Rs12$100 = 12$100 = Doze mil e cem réis
Rs1:000$000 = 1:000$000 = um conto de réis = um milhão de réis
Rs1.020.100.800:120$230 = um bilhão, vinte milhões, cem mil e oitocentos contos, cento e vinte mil e duzentos e trinta réis

         É difícil quantificar o quanto valeria a moeda “Réis” se comparada com o “Real” atualmente. Não foram encontradas muitas referências e explicações de como poderia ser calculada a conversão (réis para reais). Tal fato pode estar relacionado às diversas mudanças na moeda que ocorreram ao longo dos anos no país, e também à dificuldade de cálculo referente à inflação, por exemplo.
            Para se ter uma ideia, buscou-se comparar a moeda com o preço do ouro. Assim, de acordo com a Lei n. 59, de 8 de outubro de 1833:
“A Regencia Permanente, em Nome do Imperador o Senhor D. Pedro II, Faz saber a todos os subditos do imperio que a Assembléa Geral decretou, e Ella sanccionou a lei seguinte:
Art. 1º Na receita e despeza das estações publicas entrarão o ouro e a prata em barras, ou em moedas nacionaes ou estrangeiras, a dous mil e quinhentos réis por oitava de ouro de vinte e dous quilates.”[i]
Uma oitava de ouro corresponde a 3,5859 gramas[ii]. De acordo com a Lei n. 9, de 1833, essa quantia de ouro custava 2$500.
Apenas para ter uma ideia, em 04/07/2017, essa quantia de ouro vale R$ 462,58, segundo a cotação do site da BOVESPA (considerando o preço médio de R$129,00/gr).
Assim, um quilo (1 kg) de ouro valeria aproximadamente 697$175 (réis).
Atualmente, um quilo de ouro vale por volta de RS 128.999,69 (reais).

Um conto de réis (1:000$000), corresponderia a cerca de 1,44 kg de ouro. E, hoje, essa quantidade de ouro vale cerca de R$ 185.759,55.
Para ficar mais claro:
 

Em 1833:
3,5859 gramas de ouro = 2$500 (réis)
Atualmente (04/07/2017):
3,5859 gramas de ouro = R$ 462,58 (reais)

Em 1833:
1 Kg de ouro  =  697$175 (réis)
Atualmente (04/07/2017):
1 Kg de ouro  =  R$ 128.999,69 (reais)


Em 1833:
Um conto de réis  =  1,44 Kg de ouro
(1:000$000)

Atualmente (04/07/2017):
R$ 185.759,55  =  1,44 Kg de ouro
    (reais)
         
      Segundo o historiador do Museu Judiciário Catarinense, Gilberto Machado, quem possuísse “dez contos de réis” já era abastado. Milionário era aquele que detivesse bens no valor de “cem contos de réis”.
Vejamos o que valiam alguns bens no inventário de João Baptista de Souza (Inholo), de 1850:

Bens
Valor em réis
Estimativa do valor em reais utilizando a comparação do valor do ouro
Partes da Fazenda “Pelotinhas”
650$000 – seiscentos e cinquenta mil réis
R$ 120.270,81
Toda a Fazenda da “Cria”
2:108$000 – dois contos, cento e oito mil réis
R$ 390.047,47
A casa na vila de Lages
200$000 – duzentos mil réis
R$ 37.006,40
Escrava Benedita, 30 anos
500$000 – quinhentos mil réis
R$ 92.516,00

Vale a pena notar a valorização dos escravos. Só a escrava Benedita, de João Baptista de Souza, valia quinhentos mil-réis, ou seja, mais que a casa na Vila de Lages.
Com base nos valores apresentados (em comparação com o ouro), pode-se observar algumas das maiores fortunas da Comarca de Lages no Século XIX:

Inventariado
Ano da morte
Cônjuge
Montante de bens
1 – João da Silva Ribeiro Júnior (Cel João Ribeiro)
1894
Ismênia Baptista de Souza
406:016$370 + 400$000 do processo de sobrepartilha
(em torno de R$75.200.033,77, considerando o cálculo do valor do ouro)
2 – Ismênia Pereira Machado (Ismênia Palma)
1934
(séc. XX)
Inácio da Silva Mattos (Inácio Palma)
333:921$000
3 – Júlia Baptista de Souza e Oliveira
1883
Vidal José de Oliveira Ramos
286:111$500
4 – Manoel Ribeiro da Silva Filho (Ribeirinho)
1886
Leucádia Damasceno de Córdova
278:885$280
5 – Anna Maria de Lima
1865
Manoel Rodrigues de Souza
230:357$323
6 – Antonio José Pereira Branco Sobrinho
1861
Umbelina de Oliveira Trindade
165:414$232
7 – Joaquim José Ribeiro do Amaral
1861
130:881$625
8 – Anna Maria de Andrade
1880
Manoel José Pereira de Andrade
130:217$505
9 – Antonio da Silva Mattos (Tonico das Palmas)
1912
(séc. XX)
1ª esposa: Maria Palhano de Jesus (Mariazinha)
123:930$000
10 – Elizeo José Ribeiro do Amaral (assassinado)
1885
Clara Maria de Jesus
117:391$800
11 – Amelia Fermina de Jesus Borges
1883
Francisco Borges do Amaral e Castro
104:682$028
12 – Maria de Souza Teixeira
1876
José Domingues Arruda
99:586$020
13 – José Manoel de Oliveira Branco
1887
Maria José de Oliveira Trindade
98:095$818
14 – Antonio Pereira da Cunha e Cruz
Joaquina Maria da Maia
93:819$208
(cerca de R$17.359.556,42)



Moeda de 960 réis, 1833. (Fonte: http://www.coinfactswiki.com/wiki/Brazil_1833-R_960_reis)



Referências


BCB, Banco Central do Brasil. Síntese dos padrões monetários brasileiros. Museu dos Valores do Branco Central Brasileiro. Brasília (DF), Maio de 2007. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/htms/museu-espacos/SintesePadroesMonetariosBrasileiros.pdf. Acesso em 30/06/2017.
Inventários do Museu do Judiciário Catarinense, em Florianópolis.




[i] Senado Federal. Lei n. 59 - de 8 de outubro de 1833. Secretaria de Informação Legislativa. Disponível em:  http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=67307. Aceso em: 04/07/2017.

[ii] Systema Monetário do Brazil. In: O Império do Brazil na Exposição Universal de 1876 na Philadélphia. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1875. Disponível em: http://acervo.redememoria.bn.br/redeMemoria/handle/123456789/220265. Acesso em 04/07/2017.