segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Rua Genovêncio Mattos


         No centro da cidade de São Joaquim (SC), entre as ruas Leonel Machado e Domingos Martorano, localiza-se a Rua Genovêncio Mattos, que recebeu esse nome em homenagem a mais um personagem importante da Região Serrana.
            GENOVÊNCIO DA SILVA MATTOS nasceu em 04.08.1863, batizado em 25.10.1864, na Igreja São João Batista, em Imaruhy-SCi, filho de Joaquim da Silva Mattos Sobrinho (nome jurídico), mais conhecido por Joaquim das Palmas da Silva Mattos (02/05/1831 - 25/10/1916[i]), e de Theodora Alves da Silva (20/09/1840 - 15/12/1937).
Nota: Joaquim das Palmas era filho de João Zeferino de Mattos (1799 - 26/04/1843) e Anna Zeferino de Mattos (ou Anna Joaquina da Conceição Cardoso, de Tubarão). Theodora era filha do Tenente Coronel José Alves da Silva e de Albina Maria.

            Genovêncio foi um grande líder político serrano do Partido Liberal, condecorado com a patente de Coronel da Guarda Nacional, pelo então Presidente da República Prudente de Moraes[ii].

Nota: Durante o período do Império e parte do da República, os indivíduos poderosos e de grande influência política eram também considerados responsáveis pela segurança do país. Dessa forma deveriam organizar os cidadãos aptos com o fim de servirem em situações de emergência, em unidades militares da Guarda Nacional. De acordo com o efetivo organizado, recebiam então os postos militares correspondentes. A Guarda Nacional foi extinta em 1922, mas a denominação permaneceu como forma de tratamento respeitoso a uma pessoa importante.

Figura 1 - Genovêncio da Silva Mattos (Fonte: Página de Glacy Weber Ruiz. Acervo de Cida Mattos Ribeiro).

Casou em primeiras núpcias, em 25/01/1889[iii] (Lages, SC), com CAMILLA NUNES DE SOUZA BORGES (ou Camilla Nunes da Silva) (nasc. 1871, bat. 21.12.1871, na Matriz de Lages-SC, com um mês de idade, falec. 13.11.1908 em S. Joaquim-SC), filha de Joaquim Fermino Nunes e Maria Antonia de Souza Borges.
Filhos de Genovêncio e Camilla[iv]:
F1. Alcidia da Silva Mattos (nasc. 04.02.1890, em São Joaquim-SC, bat. 03.02.1890, falec. 19.01.1901, em S. Joaquim-SC). Faleceu com onze anos de idade[v].
F2. Orlades Matos (nasc. 30.06.1891, em São Joaquim-SC).
F3. João Mattos (Janjão) (nasc. 07.09.1892, bat. 30.11.1892, falec. 01.07.1929, São Joaquim-SC). Embora tenha falecido solteiro, deixou descendentesi.
F4. Julio Nunes Mattos (nasc. 29.10.1895), c.c. Abrilina Godoy Azevedo (14/11/1898 - 05/08/1969[vi]), filha de Geraldo Caetano Azevedo (1868 - 1922) e Maria Antonia de Godoy (nasc. 23/01/1879).
F5. Eutília Matos (ou Otília) (nasc. 23.10.1897), faleceu por afogamento no Rio Rondinha.
F6. Maria Matos (nasc. 30.09.1900 em São Joaquim-SC), c.c. Abel José da Luz.
F7. Maria Benta Matos (nasc. 13.03.1904, bat. 03.04.1904, em S. Joaquim-SC).
F8. Joaquim Matos (nasc. 04.04.1906, bat. 15.04.1906, em S. Joaquim-SC), c.c. Otillia Mattos.
F9. José Matos (nasc. 17.06.1902, bat. 10.08.1902, em São Joaquim-SC - 17/01/1987), casamento a 25.01.1929 com Otília Caetano Mattos (ou Otilia Antonia Barboza) (13/11/1911 - 17/08/1982).
José Matos era comerciante, tinha Armazém de Secos e Molhados em São Joaquim, SC.

Genovêncio da Silva Matos casou, em segundas núpcias, no dia 07.03.1910, com IZABEL ANTONIA DE GODOY (1880 - 22.11.1955), filha de Joaquim Antonio de Godoy (15/05/1852 - 08/06/1929) e Ana Cavalheiro do Amaral (1857 - 27/12/1921).
Filhos:
F1. Pedro Matos (nasc. 23.02.1910 - 18/02/1988), casou em 1934 com Helena Mattos (nasc. 08.01.1914, falec. 21.09.1991), filha de Saturnino da Silva Mattos e Maria Anna de Jesus.
F2. Ondina (ou Hundina) (nasc. 13.03.1912).
F3. Valdivia Matos Bathke (Iva) (nasc. 30/11/1913iv).
F4. Sérgio Mattos (nasc. 09.09.1915, em S. Joaquim - SC, bat. 25/12/1915, na matriz de São Joaquim, falec. 12.10.1994, em Curitiba-PR). Casou em São Joaquim-SC a 23.09.1938 com Julieta Melchiades Nunes de Souza (02.07.1920, em Urubici-SC - 14/03/2009vi), filha de Manoel Melchiades de Souza Machado e Bernardina Lídia Nunes.
F5. Samuel Matos (nasc. 18/04/1918), c.c. Ruth Nunes (nasc. 11/06/1924vi). Samuel faleceu em acidente automobilístico.
F6. Anna Matos Ribeiro (nasc. 02.07.1926, em S. Joaquim – SC), casada com o pecuarista Hermelino da Silva Ribeiro (08/08/1885 - 27/01/1967), filho de Cathólico da Silva Ribeiro (15/12/1852 - 21/11/1887) e de Joana Rodrigues (Gertrudes) Pereira (nasc. 23/06/1861). Anna faleceu em 26/05/2014vi.
F7. Adriano (09/01/1928 - 10/04/1929, em S.Joaquim-SC, faleceu com idade de 1 ano e 3 meses).


Genovêncio faleceu a 13.02.1960 e foi sepultado no Cemitério Santo Anjo da Guarda, em São Joaquim-SCii.

Figura 2 - Rua Genovêncio Mattos, São Joaquim (SC).


 Referências



[i] Inventário de Joaquim das Palmas da Silva Mattos (1917). Inventário Judicial Registrado a Fls 11 do L1º (Sem Testamento), Juízo de Direito da Comarca de São Joaquim da Costa da Serra.
[ii] RUIZ, Glacy Weber. Genovêncio da Silva Mattos. Disponível em: http://www.familiasilvamattos.com.br/genovencio_silva_mattos.html. Acesso em: 27/11/2017.
[iii] Documento localizado por Tânia Costa. Matrimônio de Genovêncio da Silva Mattos e Camila Nunes, 1889. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-61N9-ZTP?wc=MQ51-H2S%3A337699901%2C337699902%2C338202301&cc=2016197. Acesso em: 27/11/2017.
[iv] Documentos disponibilizados por Tânia Aparecida Costa e Rogério Palma de Lima e Matéria de Glacy Weber Ruiz: Genovêncio da Silva Mattos. Disponível em: http://www.familiasilvamattos.com.br/genovencio_silva_mattos.html. Acesso em: 27/11/2017.
[v] Documentos disponibilizados no site Genoom por Tânia Costa e Rogério Palma de Lima. Nascimento de Alcidia da Silva Mattos: https://familysearch.org/pal:/MM9.3.1/TH-267-12696-48651-13?cc=2016197&wc=MQ5Y-7WL:337699901,337699902,337716001  e Óbito de Alcidia da Silva Mattos. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-6RQV-G5?i=199&cc=2016197. Acesso em: 30/11/2017.
[vi] Dados disponibilizados por Rogério Palma de Lima no site Genoom. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Viagem à Serra Catarinense

Hoje selecionamos algumas imagens representativas de nossa Serra Catarinense, fotografadas durante viagem a Bom Jardim da Serra e São Joaquim.
Dentre elas, podemos ver a Casa de Pedra (Fazenda do Socorro)*, a Serra do Corvo Branco, o Canyon Laranjeiras, avistado da Fazenda Rincão da Palha (Bom Jardim da Serra, SC) e o Mirante dos Pinheiros (São Joaquim, SC).
Fotos de Daniela Ribeiro Schneider e José Manuel Palop Herreros.








Xaxim na Fazenda Rincão da Palha.


Mirante dos Pinheiros.


* Matérias sobre a Casa de Pedra:
http://genealogiaserranasc.blogspot.com.br/2017/03/casa-de-pedra-150-anos_30.html
http://genealogiaserranasc.blogspot.com.br/2012/08/novos-fatos-sobre-casa-de-pedra-da.html

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Rua Prudente Cândido da Silva

       No Bairro Três Pedrinhas, em São Joaquim (SC), localiza-se a Rua Prudente Cândido da Silva, em homenagem a:
PRUDENTE CÂNDIDO DA SILVA FILHO (04/12/1942 - 28/02/1999), “Tio Pruda”, c.c. Lílian Hering.
Ele era filho de pai com o mesmo nome, PRUDENTE CANDIDO DA SILVA (25.04.1904 – 30.08.1977), e de CÂNDIDA PALMA CANDIDO (09.06.1904 – 29.04.1953).
Prudente (o pai), por sua vez, era filho de Vidal Cândido da Silva e de Teodorina Cardoso Rocha.
Cândida Palma era filha de Ignácio da Silva Mattos (“Inácio Palma”) (1860 - 15/07/1935) e de Esmênia Pereira Machado (27/01/1869 - 16/09/1934) (“Ismênia Palma”), conhecida família de São Joaquim (SC).

Nota: Mais informações sobre o casal Cândida Palma e Prudente Cândido da Silva (pai) e seus filhos em: https://genealogiaserranasc.blogspot.com.br/2014/04/filhos-de-ignacio-da-silva-mattos-e.html

Prudente Cândido da Silva Filho teve importante participação social e política no município de São Joaquim (SC), onde foi prefeito[i].

Figura 1 - Prudente Cândido da Silva Filho, "Tio Pruda". Fonte: São Joaquim de Fato. (Foto do início de fevereiro de 1999)

Figura 2 - Rua Prudente Cândido da Silva, São Joaquim (SC).


           De acordo com site do DEINFRA, há também uma rodovia que recebeu o seu nome:

Rodovia Prudente Cândido da Silva (DEINFRA[ii])
Denomi-nação
Rodovia/
acesso
Km inicial
Km final
Início do segmento
Fim do segmento
PRUDENTE CÂNDIDO 
DA SILVA FILHO
SC-110
421,569
436,836
Entr. SC-390 
(p/ Bom Jardim da Serra)
São Jqm 
(Entr. Norte SC-114/SC-390)
SC-114
274,579
306,272
Rio Lavatudo
São Jqm 
(Entr. Norte SC-110/SC-390)
SC-390
364,827
392,042
Entr. SC-110 
(p/ Urubici)
Bom Jardim 
da 
Serra 
(Entr. SC-450)


Figura 3 - Rodovia Prudente Cândido da Silva Filho, SC-114. Fonte: Recorte da imagem postada em Eron Portal - notícias e entretenimentos da região (colaboração da profa. Mirian Palma, sobrinha do Tio Pruda).


            Vejamos um texto de Glauco Silvestre, publicado em seu site, “São Joaquim de Fato”, onde conta um pouco da vida de Prudente, conhecido por muitos como “Tio Pruda”.


“Saudades: 12 anos sem Tio Pruda
(por Glauco Silvestre, texto publicado no site São Joaquim de Fato, 2011[iii])

Se estivesse entre nós, hoje (quatro de dezembro de 2011), Tio Pruda iria completar 69 anos de vida.
Sabe aquele amigo que todo mundo tem prazer em bater papo por tempo e que envolve as rodinhas de conversa?! Ele era articulador, irônico, extrovertido e boa praça.
 Tio Pruda nos deixou cedo e provocou um vácuo, um vazio na cidade.  Tinha bom relacionamento e trânsito com todos, até mesmo os adversários políticos.
Prudente Cândido da Silva Filho, nasceu no dia quatro de dezembro de 1942 na Fazenda São José do Alecrim, na localidade de Murta (Lomba) em São Joaquim. SC. Filho de Prudente Candido da Silva e Cândida Palma, casou-se com Lilian Hering Silva e teve quaro filhos: Ciro Eduardo Cândido Silva, os gêmeos Carlos Cândido Silva e Claudio Cândido Silva, e Prudente Cândido Silva Neto.
Foi personagem lendário da vida social e política de São Joaquim devido ao seu grande senso de humor e presença de espírito, alimentando ainda na atualidade o ideário político da cidade ao qual serve como modelo de probidade e conduta, além de ser invocado pela facilidade de relacionamento com todas as facções políticas de sua época, onde foi respeitado e admirado.
Na vida profissional, foi formado em direito e jornalismo pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), foi advogado militante na comarca de São Joaquim, vereador por uma legislatura, prefeito municipal 1983 até 1988, secretário executivo no governo Vilson Kleinubing de 1991 ao início de 1994. Diretor da SANTUR por nove meses em 1994. Faleceu no dia 28 de fevereiro de 1999 em Florianópolis, aos 56 anos de idade, quando exercia o cargo de Diretor Financeiro da CIASC no governo Esperidião Amin.

Carismático
Tio Pruda tinha conversa sincera e bem humorada, nunca perdia a paciência e conhecia muita, muita gente. Em São Joaquim sabia de habitante por habitante. Um dos seus filhos, o mais novo, o Pruda, quando criança costumava brincar com o pai nas horas vagas com a lista telefônica. “Pai! Onde mora o Sr. fulano de tal… em seguida ele respondia, rua tal, próximo daquele lugar. E todas as respostas eram exatas”.
Ele era muito conhecido também em outras cidades, no calçadão da rua Felipe Schmidt em Florianópolis – cidade berço de políticos – por exemplo, alguns amigos quase se irritavam ao andar com ele. “Não é possível! A gente leva mais de uma hora pra atravessar o calçadão, muita gente conhece ele e vai conversar”, disse um cunhado.
Outro fato inédito aconteceu em São Paulo capital, em viagem que fazia com o ex-prefeito Rogério Tarzan. Ao parar o carro em uma sinaleira Tarzan o provocou. “Tio Pruda. Você que é metido a conhecer todo mundo, quero ver se conhece alguém aqui nessa cidade hoje!” Ao terminar o comentário um homem se aproxima do carro, mete a cabeça pelo vidro e diz: “Ô Tio Pruda! O que é que faz aqui ômi do céu…” Era um joaquinense que residia em São Paulo, mas que por essas coincidências do destino passava ali naquele momento.

Mais algumas histórias risonhas:
Uma das histórias foi sobre a visita do então Presidente da República José Sarney em São Joaquim na Festa da Maçã, quando ele era prefeito. “O presidente assegurou ao Tio Pruda em seu discurso que iria viabilizar verbas para o município. Em seguida Tio Pruda completou: “E é verdade, pois eu sempre acreditei em homem que usa bigode grande”.
Outra:
Amigos diziam que ele nasceu fazendo piada. “Tio Pruda quando na adolescência estudava no ginásio Diocesano em Lages foi flagrado pelo Frei Clemente colando na prova. Disse o professor ao Tio Pruda: “Prudente não seja tão imprudente, ao que ele respondeu: Frei Clemente não seja tão inclemente”.
(Texto com informações do site Fraternidade Serrana).”

            Algumas dessas histórias encontram-se gravadas em pedra no Mirante dos Pinheiros[iv], localizado logo após o portal de saída para Lages, na SC-438. Infelizmente, essas narrativas contadas pelo povo joaquinense sobre o ex-prefeito Prudente Cândido da Silva Filho, estão quase apagadas.
Além disso, conforme notícia do Portal Serra SC (Jornal Mural Online): “Algumas pedras foram arrancadas e tiradas do local por vândalos. Não se trata de apenas escritos para descontrair, mas um verdadeiro arquivo popular. Em algumas inscrições aparece o nome do autor, em outras, autoria de domínio público”.
Segundo notícia de janeiro de 2017[v], para auxiliar na conservação do local, a Prefeitura Municipal de São Joaquim (SC), por iniciativa de seus colaboradores, realizou no dia 21 de janeiro [2017], um Mutirão de limpeza no Mirante dos Pinheiros.

Figura 4 - Mirante dos Pinheiros, São Joaquim (SC). Fonte: HORCEL, L. Gazeta do Povo[vi].


Referências




[i] AMURES, Associação dos Municípios da Região Serrana. Galeria Ex-Prefeitos. Publicado em 23/08/2016, atualizado em 16/02/2017. Disponível em:  http://www.amures.org.br/cms/pagina/ver/codMapaItem/83632. Acesso em: 12/11/2017.
[ii] DEINFRA, Departamento Estadual de Infraestrutura, Diretoria de Planejamento e Projetos, Gerência de Planejamento de Infraestrutura. Denominação de Trechos de Rodovias Sob Jurisdição do DEINFRA. Disponível em: http://www.deinfra.sc.gov.br/jsp/relatorios_documentos/doc_rodoviario/download/denominacao_de_trechos_por_denominacao.pdf
[iii] SILVESTRE, Glauco. Saudades: 12 anos sem Tio Pruda. São Joaquim de Fato. Dezembro de 2011. Disponível em:  http://saojoaquimonline.com.br/saojoaquimdefato/?p=2789#comments. Acesso em: 08/11/2017.
[iv] Gravações em pedra: causos do Tio Pruda que poucos conhecem. Portal Serra SC, Jornal Mural Online. Publicado em 25 de Maio de 2010. Disponível em: http://www.serrasc.com.br/index.php?option=com_content&view=article&catid=388:noticias&id=471:gravacoes-em-pedra-causos-do-tio-pruda-que-poucos-conhecem. Acesso em: 12/11/2017.
[v] ZANETTE, Andressa. Mutirão faz limpeza no Mirante dos Pinheiros. Município de São Joaquim, SC. Publicado em 27/01/2017. Disponível em: http://www.saojoaquim.sc.gov.br/noticias/index/ver/codNoticia/405976/codMapaItem/4689. Acesso em : 12/11/2017.
[vi] HORCEL, Luciane. Entre montanhas e vales da serra catarinense. Publicado em 22 de abril de 2010, alterado em 29 de janeiro de 2015. Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/turismo/entre-montanhas-e-vales-da-serra-catarinense/. Acesso em: 12/11/2017. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Dr. Agripa de Castro Faria - Relatos de Enedino Batista Ribeiro

Dando continuidade à matéria anterior sobre o Dr. Agripa de Castro Faria, apresentamos alguns trechos do livro “Gavião-de-Penacho: memórias de um serrano”, de Enedino Batista Ribeiro (1999). Eles narram um pouco da história do médico na cidade de São Joaquim e da sua parceria com Enedino, farmacêutico na cidade.
            Inicialmente, Enedino discorre sobre a compra que fez da farmácia de Hilário Bleyer, farmacêutico prático. Segundo o relato, o Sr. Bleyer afirmava ter o objetivo de se estabelecer em outra localidade, e não mais em São Joaquim (SC). Contudo, depois de seis meses, ele abriu uma nova farmácia no município, recebendo os receituários do Dr. Módena.
            Assim Enedino (1999, p. 474-475[i]) descreveu os fatos:

“O Sr. Hilário Bleyer [...] com a conivência do Dr. Módena, começou a fazer-me, na farmácia, uma concorrência desabusada e desleal, procurando incompatibilizar-me com a opinião pública da minha terra.
E como ninguém é rei em sua terra, eu levava a pior, caindo vertiginosamente o movimento da farmácia por falta de receituário. Eu não tinha, legalmente, meios de combater o meu concorrente, que tinha farmacêutico diplomado, que dava nome à sua farmácia.
De qualquer forma, eu precisava lutar, mas para isso precisava ter, pelo menos, um médico que receitasse para a minha farmácia, e foi o que fiz. Em fins de julho, vim com Lídia, minha esposa, a Florianópolis, hospedando-nos no Hotel Moura, na Praça XV de Novembro. O principal objetivo de nossa viagem à Capital do Estado era arranjar um médico que quisesse ir clinicar em São Joaquim, receitando exclusivamente para minha farmácia, no sentido de enfrentar a difícil situação criada pelo Sr. Hilário Bleyer e pelo Dr. Vicente de Módena.
De passagem por Lauro Müller, entrei em contato com o Dr. Agripa de Castro Faria, que ali exercia a medicina. Depois de lhe explicar minuciosamente a situação – de verdadeira guerra das farmácias -, Dr. Agripa me disse que iria para São Joaquim clinicar, receitando só para a minha farmácia, desde que eu lhe arranjasse clientela. Gostei do moço, da sua franqueza, me parecendo um homem leal.
De regresso a São Joaquim, estudei a situação e conversei com os amigos, inclusive com todos os membros da família de minha mulher.
Recebendo apoio de grande número de amigos e parentes, conversei outra vez com o Dr. Agripa, ficando determinada a sua ida para São Joaquim, nas condições por nós estabelecidas.”


            Na sequência, Enedino destinou um subtítulo de seu livro ao Dr. Agripa, conforme segue abaixo:

Agosto de 1926
Dr. Agripa de Castro Faria
Texto de Enedino Batista Ribeiro (1999, pgs. 475-477[i])

           "Vindo de Lauro Müller, em condução fornecida por mim, chegou a esta cidade [São Joaquim-SC] o Dr. Agripa de Castro Faria, médico natural da cidade de Campos, do Estado do Rio de Janeiro.
            Fui esperar o novo médico nas Tijucas, em casa do meu cunhado Antônio Vieira do Amaral, cuja mulher, minha mana Olívia, encontrava-se doente, ameaçada de aborto. Os detalhes já não lembro, mas sei que ela foi o primeiro doente que o Dr. Agripa atendeu em São Joaquim.
            Demonstrou desde logo que era bom médico na sua especialidade – Clínica Médica -, impondo-se, de imediato, à confiança do público.
            Conforme já contei em capítulo anterior, o Dr. Agripa vinha receitar exclusivamente para a minha farmácia. Foi sempre de uma lealdade absoluta, nunca receitando para a outra farmácia. [...]
De minha vez não perdia tempo, tratava de angariar clientes para o Dr. Agripa, entre os meus amigos e parentes. Foi uma luta dura, férrea e que durou anos.
Dr. Agripa morou sempre conosco em casa; era como um irmão. Só nos deixou depois de quase três anos de convivência diária, no dia de seu casamento, para morar na sua própria casa.
O novo facultativo era homem simples, de gênio alegre e folgazão, de sorte que caiu no gosto do povo, fazendo boa amizade e franca camaradagem com os joaquinenses, que viam um amigo no novo médico. Igualmente, logo assimilou nossos costumes e até carreirista ficou, apreciando muito esse esporte, assistindo e mesmo atando corridas de cavalos, tendo gasto boa soma de dinheiro.
Era de se ver e ouvir o Dr. Agripa, ao pé do fogo, falando em corridas, naquele linguajar floreado e pitoresco dos aficionados do querido esporte serrano.
Dessa forma, terminou o ano de 1926, fazendo, o Dr. Agripa boa clínica com o seu consultório sempre repleto de clientes, além das viagens frequentes que fazia a cavalo pelo interior do município, viagens penosas e cansativas, sempre, porém, muito lucrativas."

Referência

RIBEIRO, Enedino Batista. Gavião-de-Penacho: memórias de um serrano. Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC); co-edição da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Florianópolis: IHGSC, 1999.


[i] Com correções de Ismênia Ribeiro Schneider, novembro de 2017.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Rua Agripa de Castro Faria


          Ainda no Centro da cidade de São Joaquim (SC), localiza-se a Rua Agripa de Castro Faria, um importante médico e com atuação política em Santa Catarina. Em sua homenagem, seu nome também foi atribuído a uma rua em Florianópolis e a outra em Urubici (SC).
            Nasceu em 02 de abril de 1901, em Campos, RJ[i]. Filho de Antônio Joaquim de Castro Faria (diretor do Liceu de Campos, onde também lecionava matemática[ii]) e de Francisca Barbosa de Castro Faria[iii].
Diplomado em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. “Transferiu-se pouco depois de formado para Santa Catarina, onde abriu uma clínica em São Joaquim”iii. Conforme conta Enedino Batista Ribeiro, em seu livro Gavião-de-Penacho (1999, p. 476), Dr. Agripa receitava medicamentos exclusivamente para a sua farmácia, também localizada em São Joaquim (SC).

 Figura 1 - Dr. Agripa de Castro Faria. (Fonte: PIAZZA, 1994).

             De acordo com texto publicado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV)iii, Dr. Agripa,

simpático à Aliança Liberal e à Revolução de 1930, no pleito de outubro de 1934, elegeu-se deputado à Assembléia Constituinte de Santa Catarina na legenda da Coligação por Santa Catarina, composta pela Legião Republicana Catarinense, o Partido Social Evolucionista e o Partido Republicano Catarinense. Segundo-secretário da Assembléia, participou da elaboração da Constituição promulgada em agosto de 1935 e permaneceu no exercício do mandato até o advento do Estado Novo (10/11/1937), que suprimiu as câmaras legislativas do país.
Em seguida, dirigiu o Centro de Saúde de Florianópolis, foi titular de uma diretoria da Secretaria de Saúde Pública e diretor do Serviço de Assistência aos Psicopatas do Estado de Santa Catarina de 1940 a 1943. Neste último ano, assumiu a diretoria do Hospital Colônia Santana, onde permaneceria até 1950.
Com a reconstitucionalização do país que se seguiu à queda do Estado Novo (29/10/1945), elegeu-se no pleito suplementar de janeiro de 1947, deputado estadual pelo Partido Social Democrático (PSD). Por essa mesma legenda e nesse mesmo pleito, elegeu-se suplente do senador por Santa Catarina Francisco Benjamim Gallotti. Em outubro de 1950, elegeu-se deputado federal por Santa Catarina na legenda do PSD, assumindo o mandato em fevereiro de 1951. Em novembro de 1954, porém, a dois meses do final da legislatura, desligou-se da Câmara para ocupar no Senado a vaga deixada pelo titular, que renunciara ao mandato. Exerceu o mandato de senador por apenas dois meses, até janeiro de 1955.
De 1958 a 1965 foi assistente da presidência da Legião Brasileira da Assistência em Santa Catarina.
Faleceu em junho de 1965.
Era casado com Ecilda Castro Faria, com quem teve duas filhas.
            
           De acordo com dados de Enedino Batista Ribeiro (1999, p. 528), D. Ecilda era filha de Fulgentino Vieira Borges (“Tico”). 
Dr Agripa e a esposa Ecilda tiveram as filhas: Terezinha de Castro Faria e Maria Lívia Faria Vila-Verde (PIAZZA, 1994, p. 277).

Figura 2 - Rua Agripa de Castro Faria, São Joaquim (SC).



Referências




[i] Brasil, Senado Federal. Agripa de Castro Faria. 2017. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/senadores/senador/-/perfil/3112Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Agripa de Castro Faria. 2017. Disponível em: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/agripa-de-castro-faria.

[ii] Jornal de Laguna, 2015. Disponível em: http://jornaldelaguna.com.br/archimedes-de-castro-faria/ . Acesso em: 23/10/2017.

[iii] Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Agripa de Castro Faria. 2017. Disponível em: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/agripa-de-castro-faria.

RIBEIRO, Enedino Batista.Gavião-de-Penacho: memórias de um serrano. Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC); co-edição da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Florianópolis: IHGSC, 1999.

PIAZZA, W. F. (org.). Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1994.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Rua Boanerges Pereira de Medeiros

            A matéria de hoje é dedicada a Boanerges Pereira de Medeiros, que recebeu como homenagem o nome de uma rua no centro da cidade de São Joaquim (SC), e também o nome de uma rua no município de Urubici (SC).
            Boanerges Pereira de Medeiros (11/08/1882 - 28/02/1951) foi político importante de São Joaquim (SC), sendo o seu quinto prefeito, durante o período de 1926 a 1930.
Além disso, conforme Piazza (1994, p. 446), foi “Conselheiro e Vereador à Câmara Municipal de São Joaquim. 1º Substituto de Superintendente Municipal (1915 – 1923). Deputado ao Congresso Representativo do Estado à 11ª Legislatura (1923 – 1924). Deputado Estadual à 12ª Legislatura (1925 – 1927)”.


Figura 1 - Boanerges Pereira de Medeiros. Agradecimento a Elizabeth Mattos e Rogério Palma de Lima que nos forneceram a foto.


Boanerges é filho de Francisco Pereira de Medeiros (1841 – 1885) e de Ignês Baptista Ribeiro (1854 – 09/04/1895).

Notas:
      i.     Francisco Pereira de Medeiros é filho de Manoel Pereira de Medeiros, “Manduca Pereira” e de Ignácia Maria de Saldanha.
    ii.     Ignês Baptista Ribeiro é filha do “Coronel João Ribeiro”, João da Silva Ribeiro Júnior e de Ismênia Baptista de Souza.
  iii. A avó paterna de Boanerges, Ignácia Maria de Saldanha, era irmã do Coronel João Ribeiro, ambos filhos de João da Silva Ribeiro (Sênior) e de Maria Benta de Souza.


Casou-se, em primeiras núpcias, com FELICIDADE VIEIRA DE MEDEIROS (01/01/1887 - 04/01/1944), filha de Leandro Antônio Vieira (batizado em 1857) e de Rosa de Lima Ribeiro Vieira (falecida em 1915).

Figura 2 - Felicidade Vieira de Medeiros. Agradecimento a Elizabeth Mattos e Rogério Palma de Lima que nos forneceram a foto.

O casal Boanerges e Felicidade teve apenas uma filha legítima. Entretanto, a menina faleceu com um ano de idade:
F1 – JUÇÁ (nasc. 24/02/1920 - 09/03/1921)[i]. Causa da morte: “Bronchite capillar”, segundo atestado do Dr. Vicente Cantizani.      
Ademais, Boanerges e Felicidade adotaram três sobrinhos:
FA1 – Tarcila Vieira (13/11/1910 - 11/03/1985), filha de Manoel Inácio Ribeiro Vieira e Mª dos Prazeres Flores. Casou-se com Teófilo Mattos.
FA2 – Edgar Vieira de Medeiros (01/02/1926 - 12/02/1996), filho de Waldomira Vieira e Otávio Vieira. Casou-se com Fani Castelo Branco (filha de Liberalino Castelo Branco, “S. Lico” e de D. Maria Amélia Carvalho).
FA3 – Odete Vieira, solteira (faleceu com 15 anos), filha de Emília Vieira e Joaquim Anacleto Rodrigues.

Em segundas núpcias, Boanerges Pereira de Medeiros casou-se com Vina Araújo Lima.


Mais informações sobre Boanerges Pereira de Medeiros:

Quando o pai faleceu, em 1885, Boanerges tinha apenas três anos de idade, o irmão mais velho, Ignácio Pereira de Medeiros, tinha quatro e meio, e o terceiro, póstumo, Francisco Pereira de Medeiros Júnior, quando adulto, ficou conhecido por “Chico Júnior”. Os três ficaram morando com a mãe na Fazenda do “Posto”, herança dela. Era parte da fazenda maior, “São João de Pelotas”.
Decorridos três anos, a mãe, Ignês, volta a se casar, com Ignácio Sutil de Oliveira, com o qual tem mais quatro filhos, Páscoa Batista de Oliveira e João Batista de Oliveira, e mais dois que morreram crianças, tendo ela falecido do último parto. Ignácio Sutil de Oliveira resolve ir embora para o Mato Grosso, deixando quatro das cinco crianças a cargo dos tios. Os três do primeiro casamento foram morar na Fazenda “São João de Pelotas” com os tios maternos João Batista Ribeiro de Souza e Cândida dos Prazeres Batista de Souza. O filho mais velho de Ignes, Ignacio, continuou morando nesta fazenda até se casar com Belizária Pereira da Silva (1887-1942).  Já Boanerges e Francisco mudaram-se, ainda crianças, par a fazenda “Monte Alegre”, com os tios paternos Manoel José Pereira e Maria Cândida da Silva Mattos, pais de outros nove filhos. Boanerges e o primo-irmão Antônio Pereira Sobrinho, criados juntos na famosa Fazenda, herança de Maria Cândida, se tornaram, no decorrer de suas vidas, o quinto e o nono prefeito de São Joaquim, respectivamente.
A Fazenda “Monte Alegre” era contígua à Fazenda das Palmas, de Inácio da Silva Mattos (Inácio Palma) e Ismênia Pereira Machado (Ismênia Palma), pais de dezesseis filhos. Inácio Palma, ou Inácio da Silva Mattos, era o único irmão de Maria Cândida, “tia Candinha”. As duas propriedades reuniam vinte e sete jovens e crianças, num intercâmbio permanente, principalmente nas épocas de rodeio, ou de outros acontecimentos festivos, quando todos se ajudavam mutuamente, ou festejavam juntos.
Dos filhos do segundo casamento de Ignês, João Batista foi embora com seu pai para o Mato Grosso e a irmã, Páscoa, foi adotada  pela tia, irmã de Ignês, Belizária Ribeiro do Amarante, casada com Cezário Joaquim do Amarante que não tinham filhos. Páscoa casou-se com Oscar Alves Ferreira, dando origem à tradicional família “Amarante Ferreira”.  
A fazenda do “Posto”, herança de Ignês, foi vendida para João Batista de Souza, que a revende, em 1912, ao genro, Hercílio Vieira do Amaral.



Figura 3 - Rua Boanerges Pereira de Medeiros, em São Joaquim (SC).


Referências

MACHADO, Rosemere Marioti; OLIVEIRA, João Batista. Conhecendo São Joaquim. São Joaquim, 2000.
MUSEU DO JUDICIÁRIO DE SC. Inventários da Comarca de Lages referentes ao período de 1840-1888 que se acham arquivados nessa instituição. Florianópolis, 2003.
RIBEIRO, Enedino Batista. Cadernos manuscritos a partir de 1924. Arquivo privado.
PIAZZA, Walter F. (org.). Dicionário político Catarinense. Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catatina, 2ed., 1994.
SCHNEIDER, Ismênia Ribeiro. Arquivo privado.

[i] Documentos encontrados e fornecidos pelo pesquisador Rogério Palma de Lima.